TEMPO NAS MÃOS ! - O QUE VEM A SER VELHICE ?

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Tempo nas mãos

O que vem a ser a velhice, suas representações na cultura, no tempo atual e qual impacto esse imaginário gera em nosso viver?
Silmara Simmelink (*)

De quem é essa mão?
Foi separando algumas fotos de uma oficina que realizo com grupos idosos que tive essa dúvida ao ver uma foto, mas algo me pareceu familiar, a cor do esmalte que costumo usar. Opa! Essa é a minha mão! Mas ela está com marcas. Estão enrugadas. Foi assim que tive contato com o meu processo de envelhecimento. A notícia que eu estou envelhecendo surge nesse momento e com ela diversas indagações. Agora não era o envelhecimento do outro, mas o meu.
Nas leituras e nos trabalhos que desenvolvo com os grupos de idosos, ela estava lá e percebi nesse instante que a velhice não pode estar apartada de mim. Discutir bilateralmente faz parte da minha inclusão nesse processo. Foi aí que me dei conta que já estava acontecendo.
Há diversos autores que citam que o envelhecimento começa desde a concepção do ser. Para Neri (2004), o envelhecimento é um processo e a velhice uma fase de vida. O envelhecimento não ocorre igualmente para todos. A genética, o estilo de vida e as reservas psíquicas contribuem para as transformações que serão individuais. São diversas velhices, cada um com a sua.
Falamos aqui da singularidade do sujeito, da minha velhice.
Mas por que a mão me parecia desconhecida num primeiro momento? Recorri à psicanálise e daí surge uma resposta inconsciente – seria um mecanismo de defesa de negação e de projeção. Como se a mão vista na foto fosse da idosa que acompanho.
Mas como não reconhecer parte do próprio corpo? Para Freud o que ocorre é uma alienação, algo recalcado, a mão não era algo novo ao meu conhecimento e sim, familiar (Freud, O “Estranho” 1919/2006 p. 258).
Em processo analítico, surgiu à minha consciência a réplica de que recalquei o meu amadurecimento. O luto da juventude estava em elaboração, o início da caminhada rumo ao desconhecido, um chamado ao ingresso na segunda metade da vida.
Esse chamado me ocorreu aos 40 anos, período em que a Psicologia junguiana dita a meia idade, podendo iniciar na faixa dos 35 a 40 anos. Para Carl Gustav Jung, esse processo é o de individuação, um encontro para o autoconhecimento, integração da personalidade. Contrário do individualismo, trata-se de uma trajetória psíquica que poderá conduzir o indivíduo à sua totalidade e, assim, a se relacionar consigo e com o mundo de uma forma melhor, tornando-se uma resposta a si mesmo.
Este processo pode ter como prelúdio um evento externo ou um conflito interno. É uma viagem mais profunda na própria história de vida, com a possibilidade de aproximação aos conteúdos inconscientes e conscientes, oportunidade de reconhecer as próprias sombras e as luzes, rever valores e mudar alguns papéis sociais.
Esses papéis, ainda na visão de Jung, são denominados como personas, conforme descrito a seguir:
Ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva; em outras palavras, a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que alguém parece ser: nome, título, ocupação. De certo modo, tais dados são reais, mas em relação à individualidade essencial da pessoa, representam apenas algo secundário, uma vez que resultam do compromisso no qual outros podem ter uma quota maior que a do indivíduo em questão. A persona é uma aparência, uma  realidade bidimensional como se poderia designá-la ironicamente”. (Jung, vol. 7, § 246)
Como beira o início, o processo que está começando pode ser longo a ponto de durar uma vida – ou não, mas trata-se de um possível encontro rumo ao Self – quem realmente sou.
O ponto principal para nossa reflexão é entender as oportunidades que nos aguardam na segunda metade da vida, assim como as possibilidades de alcançar a totalidade do eu, o que pode resultar na potência e na criatividade do ser.
Para elaborar e me identificar com o meu processo de envelhecimento preciso entender o contexto social em que estou, de como a cultura presente acolhe o velho, de que forma estou influenciando e, sendo influenciada pelo imaginário social – construído com práticas e discursos, de que forma ele nos rege.
Mas, o que vem a ser a velhice, suas representações na cultura, no tempo atual e qual impacto esse imaginário gera em nosso viver?
Essa é uma pergunta que pode nos levar a diversas ramificações de resposta, como por exemplo: se lidamos com os avanços da tecnologia; se existe a valorização da última geração; se o produto novo e se o antigo é obsoleto.
O conjunto desses conceitos pode direcionar-nos a um olhar para o outro como um sujeito ultrapassado. Perdas e doenças relacionadas à velhice tornam-na indesejada e incentivam a ilusão do desejo em se manter jovem ou o desejo de adiar essa fase.
Assume-se a velhice como um fim, como se os planos e conquistas não fizessem mais parte dessa nova etapa. Exclui-se o amor, sexo, trabalho e um lugar ativo na sociedade.
Muitas vezes unificamos o significado das palavras juventude e vitalidade. Em alguns dicionários a vitalidade é a capacidade de viver e de se desenvolver; força vital; vigor. Já a juventude é um período da vida do ser humano compreendido entre a infância e o desenvolvimento pleno de seu organismo.
Necessitamos de uma reflexão, a começar com a construção da palavra, rever o dito: velho, idoso, maduro ou terceira idade. Optamos por qual delas?
Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa sociedade em que, como disse alguém, ‘nasce-se adolescente e morre-se adolescente’, Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição”. (Eliane Brum, “Me chamem de velha”).
Se a fase é velhice e estou dentro dela, logo sou velha! Posso me reconhecer como legalmente descrito no estatuto, a partir dos 60 anos. Me reconheço como pertencente a esse grupo, faço valer meus direitos e cada vez mais dou visibilidade para as políticas públicas.
Temos também a construção da velhice como algo próximo à morte. Em “Velhice pra que te quero?”, Jorge Forbes em sua palestra cita o filósofo Martin Heidegger (1889-1976), “um minuto de vida é o suficiente para morrer”.
Na novela “Deus Salve o Rei”, a bruxa Brice já centenária, se configura em uma bela jovem que, para manter essa aparência, procura homens mais jovens para que em um beijo, sua juventude possa ser recuperada. É isso que a mantém viva, deixando o homem que recebeu o beijo, com a aparência de velho, sugando juventude. Vemos nesse contexto a questão do velho próximo da morte, a valorização da beleza e a busca da vitalidade sendo retirada do jovem.
No entanto, ao se olhar no espelho Brice tem a sua aparência de velha ressurgindo como sua real imagem, o que nos remete também a um enfrentamento do real e da fantasia.
Um paralelo a esta metáfora da personagem, poderia ser o uso de artifícios para mascarar as rugas das mãos e continuar a negação a este processo. Porém, as marcas estarão em minhas mãos sempre e carregam nelas um forte significado. Afinal, não há um corpo sem um sujeito em sua essência. Cada marca é um registro de minhas vivências e da construção da minha identidade.
Não há receitas, fórmulas ou modelos a serem seguidos, pois cada velhice está baseada em uma única história e em sua singularidade.
Ponderando, o que tenho em meu processo de envelhecimento é de autoanálise: O que busco para viver mais? O que de fato faz sentido para minha vida? O quanto as respostas dadas estão se encaixando no imaginário social ou estão mais próximas do meu eu?
Esse é um exercício diário, em alguns momentos se faz necessário desconstruir para construir novos padrões, significados, um jeito de ser e estar em que a essência possa se fazer mais presente.
Somos relacionais e essa interação se baseia em boas trocas e acordos, não cabendo apenas unicamente à busca pela adequação, mas ao que “eu” posso ter em ressonância interna com o mundo externo.

(*) Silmara Simmelink – Psicóloga graduada pela Universidade São Judas Tadeu, especialista em gerontologia pelo Albert Einstein. Atua em clínica com abordagem psicanalítica e desenvolve oficinas terapêuticas com grupos de idosos. Texto escrito para o curso Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento, ministrado pelo Cogeae (PUC-SP), no primeiro semestre de 2018. Email: silmara@psicologiadaleveza.com

Foto de JORGE LOPEZ

Fonte:https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/tempo-nas-maos/


O que é velhice?


O que é velhice?

A velhice é considerada a terceira idade da vida humana e se caracteriza pela queda de força e degeneração do organismo, ou seja, ao longo da vida têm-se várias fases e é com elas que você cresce e amadurece. Segundo os dados fornecidos pelo IBGE, no Brasil são 21 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos que, de acordo com a legislação vigente, são consideradas idosas.

Esta é uma fase da vida em que todos estão destinados a passar e pode ter vários significados e simbolismos para diferentes sociedades.

Para algumas sociedades o idoso pode ser considerado o chefe de família, aquele que assume todas as responsabilidades e serve de exemplo e guia para os demais membros que procurarão ser como ele no futuro. Podemos destacar a sociedade japonesa, na qual a sociedade tem grande veneração e respeito por seus idosos, por entender que são responsáveis por grande parte da cultura e do conhecimento, onde as pessoas querem sempre estar perto para usufruir de sua sabedoria.

Já em outras sociedades, o idoso é visto como alguém que já usufruiu seu tempo e deve agora apenas aguardar o final de sua vida, entendendo que não podem mais ser úteis à sociedade e por isso são tratados como incapazes.

Além disso, há diferentes formas de tratamento destinadas aos idosos, sendo que muitas pessoas ainda não os respeitam e chamam de “velhos” aqueles que podem ser chamados gentilmente por outros nomes. “Velho” significa um modo pejorativo na qual as pessoas se referem aos idosos, se tornando um tipo de preconceito e fazendo com que a pessoa se sinta inferior às outras.

Contudo, a velhice é muito subjetiva e complexa, pois além de ser uma etapa natural pela qual todas as pessoas vão passar, ela não é o final e sim o começo de mais uma etapa da vida. 

Tal etapa pode ser observada pelas mudanças físicas que tendem a ser graduais ou progressivas. Algumas delas são: 

• Aparecimento de rugas;

• Perda da elasticidade da pele; 

• Diminuição da força muscular; 

• Aparecimento dos primeiros cabelos brancos;

• Queda de cabelos;

• Redução da capacidade auditiva;

• Alteração dos reflexos, entre outras.

Já as mudanças psicossociais são as afetivas e cognitivas, como os efeitos fisiológicos do envelhecimento, aproximação do fim da vida, solidão, afastamento de pessoas de outras faixas etárias, dificuldade econômica, entre outros.

E por fim, as mudanças socioeconômicas que ocorrem principalmente quando o idoso deixa de trabalhar e passa a viver exclusivamente de sua aposentadoria, o que gera uma grande redução em sua capacidade financeira. 

Por esta série de motivos, o idoso passa a ser alvo de muitas discriminações tanto no meio social quanto no meio familiar.


Fonte:https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/cotidiano/o-que-e-velhice/60989#

O que é um idoso ?


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. Todavia, para efeito de formulação de políticas públicas, esse limite mínimo pode variar segundo as condições de cada país. A própria OMS reconhece que, qualquer que seja o limite mínimo adotado, é importante considerar que a idade cronológica não é um marcador preciso para as alterações que acompanham o envelhecimento, podendo haver grandes variações quanto a condições de saúde, nível de participação na sociedade e nível de independência entre as pessoas idosas, em diferentes contextos.
O estudo do processo de envelhecimento é chamado gerontologia, enquanto o estudo das doenças que afetam as pessoas idosas é chamado geriatria. Existe, em alguns países, o Estatuto do Idoso, que garante direitos a essa população que já tem idade avançada.

Um novo olhar sobre a velhice

Durante muitos anos o atendimento mais comum para o idoso foi o asilo, um recurso reconhecido pela necessidade de abrigo e proteção por abandono ou inexistência do grupo familiar.
A partir dos anos 70, com a aceleração do processo de envelhecimento no país, vão sendo criados recursos para atender às necessidades e anseios manifestados pelo número crescente de idosos. Tanto os recursos institucionais, como os comunitários se dirigem à integração do idoso na sociedade. A partir do momento em que o idoso fica dentro de casa, ele perde a iniciativa, a capacidade de fazer novas relações, a criatividade desaparece e eles passam a produzir várias doenças físicas e psicológicas.
Para atender esta crescente população idosa, com a promoção da saúde, surgiram aos poucos programas e atividade física e serviços para a terceira idade. Estes grupos têm origem na comunidade e proporciona a ressocialização e o exercício da mobilidade, com opções para que os idosos se sintam independentes e tome suas iniciativas próprias. Abordar-se-á a atividade física no capítulo III.
A família sofreu transformações do ponto de vista sócio-econômico, mas ainda se constitui em um núcleo de apoio e atende às funções de socialização, cuidado, proteção e ajuda econômica para com os idosos.
Quando a idade avança, as condições do idoso o submetem à fragilização e atingido este quadro, os membros da família devem estimular sua independência, valorizando a capacidade física e intelectual que ele ainda possui. Até meados do século XX, os psicólogos deram pouca ou nenhuma atenção ao desenvolvimento do adulto na segunda metade da vida. Grande parte dos estudos da psicologia se concentrava na juventude, baseados na ideia de Sigmund Freud de que a personalidade se forma na infância e permanece  relativamente idêntica durante a idade adulta.
Carl G. Jung lançou os alicerces de uma psicologia analítica voltada para a idade adulta ao defender a ideia de individuação, processo que se dá ao longo de toda a vida – e pelo qual nos tornamos os seres humanos completos que estamos destinados a ser. Pois, dizia ele, que nenhum de nós vem ao mundo por acaso, tendo a vida um uma finalidade única.
Ao considerarmos que o envelhecimento não ocorre baseado em um plano-mestre, mas sim como resultado de eventos ao longo da história de cada um, destacamos estas Teorias Biológicas do Envelhecimento. ( HAYFLICK, 1994:225. )
-Alteração na aparência e nas capacidades das pessoas que envelhecem.
  • A pele frequentemente torna-se enrugada, seca e seborréica e aparece ceratose actinica;
  • O cabelo torna-se grisalho e mais fino; a calvície acentua-se;
  • A deterioração dos dentes provoca sua queda;
  • A altura e o peso tendem a diminuir;
  • As cavidades toráxicas e abdominal aumentam;
  • As orelhas alongam-se e o nariz alarga-se;
  • As células adiposas invadem a musculatura e a força
muscular diminui;
  • A postura e altura são afetadas por alterações músculo-esqueléticas;
  • A densidade óssea diminui, influenciada por sexo e raça;
  • Há alteração na absorção, distribuição, excreção e na cinética de ligação de drogas
  • Há perda de células insubstituíveis, principalmente no cérebro, coração e músculos;
  • A musculatura esfriada diminui aproximadamente pela metade aos 80 anos;
  • Há declínio de neurotransmissores como dopamina, noradrelina, serotonina, hidroxilase e acetilcolina; aumento de monoaminoxidase (MAO).
2.5.- Alterações na personalidade do idoso
1-       Redução da capacidade de controle dos afetos;
2-       Irritabilidade;
3-       Depressão;
4-       Desconfiança;
5-       Susceptibilidade;
6-       Autoritarismo;
7-       Rigidez;
8-       Apego ao passado, tendência a idealizá-lo;
9-       Misoneísmo (aversão ao novo);
10-     Propensão ao isolamento;
11-     Misantropia (aversão à sociedade, a outras pessoas e à convivência);
12-     Preocupação excessiva com a propriedade e a segurança;
13-     Dificuldade de adaptação a situações novas;
14-     Conflito habitual com as gerações jovens;
15-     Consciência de dificuldades aumentadas na aquisição de conhecimentos;
16-     Redução dos interesses;
17-     Tendência a ocupar-se repetidamente dos mesmos temas;
18-     Recusa em aceitar o envelhecimento e em reduzir seu estilo de vida e suas possibilidades.
Ao considerarmos que o envelhecimento não ocorre baseado em um plano-mestre mas sim como resultado de eventos ao longo da história de cada um, destacamos estas Teorias Biológicas do Envelhecimento. ( HAYFLICK, 1994:225. )
1-       Teoria da Exaustão – o corpo contém uma quantidade fixa de energia que é gradualmente dissipada, desenrolada como uma corda de relógio.
2-       Teoria da Acumulação – o material deletério que se acumula dentro das células acaba por matá-las com o correr do tempo (ex: lipofuccina ou corpos de hirano). Desenvolve-se tardiamente na vida.
3-       Teoria da Programação Biológica – as células são geneticamente programadas para viver por um período específico de tempo, morrendo inevitavelmente após o término desse tempo.
4-       Teoria do Erro – com a senescência, alterações ocorrem na estrutura da molécula do DNA (ácido desoxirribonucléico). Quando os erros são transmitidos para o RNA (ácido ribonucléico) mensageiro há um grande desenvolvimento de enzimas de defesa que levam, finalmente, à morte da célula e do organismo.
5-       Teoria da Eversão  (ligação cruzada) – há uma mudança nas ligações que unem as cadeias de polipeptídeos do colágeno, assim tornando-o menos permeável e elástico e, portanto, menos capaz de manter a vida normal.
6-       Teoria Imunológica – com o tempo, há uma redução nos mecanismos protetores do sistema imune, que podem se tornar autoagressivos, levando à destruição dos tecidos corporais.
7-       Teoria do “Relógio do Envelhecimento” – diz-se que este “relógio” reside no hipotálamo. O hipotálamo é fundamental para uma variedade de funções endócrinas e cerebrais e a perda de células neste local  tem um papel particularmente importante no declínio dos mecanismos homeostáticos com a idade.
8-       Teoria dos Radicais Livres – os radicais livres podem causar danos ao DNA. A ligação cruzada do colágeno e o acúmulo de pigmentos da idade são causados por radicais livres (moléculas com elétrons ímpares que existem normalmente no corpo, bem como produzidos por radiação ionizante, ozônio e toxinas químicas.
Recentemente, o cientista Giusepe Attardi do Instituto de Tecnologia da Califórnia e outros pesquisadores na Itália, em artigo na Science, informam ter encontrado um tipo de mutação genética relacionado com o envelhecimento em geral. Esta descoberta poderá comprovar que, pelo menos em termos, a velhice é resultado de mutação no DNA, que acreditam possam ser atribuídas à ação dos radicais livres ou a um cansaço do sistema de auto-reparação das próprias células. (23.10.1999:12.Ciência.JB).
É difícil determinar o início do período final da vida, quer sob o ponto vista médico, quer sob o ponto de vista social.
Se para uns a idade da aposentadoria marca o seu começo, para outros ela é arbitrariamente fixado aos 75 anos. Para outros, ainda, o aparecimento dos primeiros sinais de dependência é que evidencia a entrada definitiva neste tempo de declínio.
Dentre os mitos médicos sobre o envelhecimento há o que diz que a velhice começa aos 65 anos de idade. Esta é a ideia que poderia ser chamada de ‘envelhecimento burocrático’. Com a necessidade de estabelecer um limite exato para a concessão de benefícios e aposentadorias, para a estratificação de dados populacionais e outros é que surgiram os números ‘mágicos’ de 60 e 65 anos de idade para limitar as faixas etárias de adultos e idosos. Por que não 61, 63?
Os maiores efeitos do estabelecimento de uma idade delimitadora parece ser a “comodidade burocrática” e a considerável carga psicológica colocada sobre os indivíduos ao serem rotulados de ‘velhos’ ou  ‘idosos’, com todas as consequências pessoais, sociais e culturais que advém disso.  (JACKBEL NETO 1996:15)
Ao se desvincular da vida pública para mergulhar num mundo particular e privado, o idoso se vê excluído do espaço mais amplo em que se movia até então. Marginalizado, confinado aos estreitos limites para onde a sociedade o expulsa, vai perdendo socialmente uma identidade conhecida para mergulhar numa espécie de limbo. Agora é um aposentado  e deve se retirar para a quietude de seus aposentos, se deixar ver o menos possível e criar à sua volta um silêncio respeitoso seguindo a mesma trilha de todos os outros velhos excluídos. Pode parecer exagerada a afirmação, mas não há qualquer dúvida quanto à realidade: a sociedade rejeita aquele que não mais produz e já não gera riqueza. É nossa cultura que despreza e agride homens e mulheres envelhecidos, sua memória e conhecimento para aceitar apenas o velho que ainda contribui de alguma forma para o crescimento. Assim são aceitos políticos, artistas e criadores em geral, porque eles continuam como força atuante e modificadora.
Na velhice, a diminuição do poder aquisitivo, a solidão, a perda de identidade, o não acolhimento da singularidade e da diferença deste tempo de vida, tudo contribui para enfraquecer ainda mais o idoso, já destituído de seus papéis sociais. Na própria família, ele é segregado desde que não seja mais útil e produtivo. Esta violência contra o idoso tem crescido com o pensamento da atualidade, onde só é aceito quem é belo, atraente e rico.
Cada pessoa, ao longo de sua trajetória existencial, vive de modo singular suas mudanças biológicas, psicológicas, intelectuais e espirituais, compondo assim o seu ciclo de vida. E é esta composição que poderá garantir a experiência de envelhecer sem a fragmentação consequente das transformações internas e externas que ocorrem em cada ser, mais acentuadamente, à medida que envelhecem. Durante nossa vida, o corpo vai gradativamente se desgastando, mas a mente tem a capacidade de tornar-se cada dia mais viva e ativa.
O envelhecimento exprime ao mesmo tempo uma ideia de perda e outra de aquisição. Nossa sociedade reserva à juventude o benefício e à velhice o déficit.
Um dos aspectos do envelhecimento, a aquisição, concerne a história de vida do indivíduo, enquanto a perda, – outro elemento que é citado com mais frequência – se refere ao que é mais visível, e surge da dificuldade em discernir o limite entre o envelhecimento normal, o patológico e o patogênico.
O envelhecimento, como processo normal, é a expressão da temporalidade da pessoa, adere à história de sua vida. Envelhecemos como vivemos, nem melhor, nem pior. Trata-se de uma questão de equilíbrio entre aquisição/perda. (JACK DE MESSY,1992:16).
A capacidade do homem de reconhecer a limitação de sua existência e agir em conformidade com essa descoberta pode ser sua maior conquista psicológica. A aceitação da transitoriedade é efetuada pelo ego, que realiza o trabalho emocional que precede, acompanha e segue as separações. Sem esses esforços não se poderia alcançar uma concepção válida do tempo, dos limites e da inconstância das catexias.
Mas a vida, como dizia Rainer Maria Rilke a propósito de Rodin, “está nas pequenas coisas como nas grandes: no que é apenas visível e no que é imenso”. (FERREIRA, 1997 :360.)
A natureza faz lentamente o seu caminho e o corpo vai pouco a pouco se adaptando às limitações inerentes ao tempo vivido. Do velho não se exige a força física e as leis e costumes o dispensam dos encargos que pedem mais vigor.  Perdidos os prazeres da boa mesa e do perfeito desempenho sexual, restam possibilidades de substituição por outros prazeres em tempos de urgência e fazeres atropelados.O cuidado com o físico é primordial para a sensação de segurança e bem-estar.
Sendo a vida o solo nutriente da alma, não podemos perder o contato com o contínuo vir-a-ser no estar vivos. Quem fracassar em acompanhar o processo de vida, ficará suspenso, tenso e rígido, olhando para o passado como se fosse a única razão de engajamento. Assim, as pessoas se retiram ou são retiradas do processo vital, fixando-se em recordações com um medo secreto da morte.
Mas a velhice longe de ser passiva e inerte pode ser sempre atarefada e fervilhante, ocupada em atividades relacionadas com o gosto de cada um. Pois a vida não é uma operação passiva e um organismo tem de se abrir e sair em busca daquilo que precisa – tornando a vida um exercício de busca e exploração de todos os possíveis.
Para Alexander Lowen, (1975:50)
 “uma pessoa é a soma de suas experiências da vida, cada uma das quais é registrada na sua personalidade e estruturada em seu corpo”.
A leitura do nosso corpo é uma leitura infinita. O registro corporal é, sem dúvida, aquele que fornece as características da pessoa de idade avançada: cabelos brancos, ou calvície, rugas, reflexos menos rápidos, compressão da coluna vertebral, enrijecimento.
E como ninguém existe fora do corpo vivo, é através dele que nos expressamos e nos relacionamos com o mundo à nossa volta. Se somos nosso corpo e nosso corpo somos nós, ele poderá expressar quem somos e dizer de nossa forma de estar no mundo. O corpo é um sistema energético e a energia está envolvida no movimento de todas as coisas, tanto vivas quanto inertes.
Fonte:https://www.psicologiasdobrasil.com.br/um-novo-olhar-sobre-a-velhice/
Hong Kong is set to be bathed in colour and light as the Lunar New Year celebrations 2017 promise to be the territory’s biggest and most spectacular ever
IDOSA EM FEIRA DE HONG KONG: em 2015, 617 milhões de pessoas tinham mais de 65 anos em todo o mundo / Hong Kong Tourism Board via REUTERS (/)
Visão da velhice é velha e este livro mostra por que
Por David Cohen
17 mar 2018, 11h16 - Publicado em 17 mar 2018, 08h11
O envelhecimento da população pode ser visto como um problema. Mas é melhor enxergá-lo como oportunidade, diz um professor do MIT
The Longevity Economy: Unlocking the World’s Fastest-Growing, Most Misunderstood Market (“A economia da longevidade: desvendando o mercado em mais rápida expansão e mais mal entendido
do mundo”, numa tradução livre)
Autor: Joseph F. Coughlin
Editora: PublicAffairs
Páginas: 352
O mínimo que se pode dizer sobre a nossa visão da velhice é que ela está… velha. E essa vista cansada não desemboca só em dificuldades para quem tem mais idade. Ela leva ao desperdício de uma das maiores oportunidades de negócios dos nossos tempos. O tamanho dessa oportunidade pode ser avaliado em números. O Brasil tem cerca de 26 milhões de pessoas com mais de 60 anos, 50% a mais do que há uma década, de acordo com as estimativas do IBGE. Em 2030, um quinto da população brasileira será idosa – se até lá ainda considerarmos idosas as pessoas com mais de 60 anos.
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial: em 2015, 617 milhões de pessoas tinham mais de 65 anos. Três vezes a população do Brasil. No Japão, mais de uma em cada quatro pessoas está nesta faixa etária. Na Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Suécia, são mais de 20% dos cidadãos. É uma espécie de revolução, para a qual o mundo está despreparado, apesar de ela estar em andamento há décadas, graças à queda nos índices de natalidade e ao avanço nas condições de vida.
O modo mais comum como se pensa neste envelhecimento é que ele irá aumentar os gastos em geral das nações (com os cuidados para idosos), e reduzir sua capacidade produtiva (pela suposta menor disposição para o trabalho). Por isso tantos se referem ao fenômeno como uma “bomba-relógio demográfica”. Mas estas não são necessariamente as consequências inevitáveis do envelhecimento, como demonstra Joseph Coughlin, professor de planejamento urbano do Massachusetts Institute of Technology (MIT), no livroThe Longevity Economy: Unlocking the World’s Fastest-Growing, Most Misunderstood Market (“A economia da longevidade: desvendando o mercado em mais rápida expansão e mais mal entendido do mundo”, numa tradução livre).
Coughlin é fundador e diretor do AgeLab, no próprio MIT, uma organização de pesquisas devotada a estudar as interações entre idosos e o mundo dos negócios. Seu principal argumento é que a noção de velhice que temos – mesmo a velhice dourada, devotada ao lazer – rouba das pessoas a partir de certa idade uma parcela de seu propósito, de seu bem-estar emocional. E camufla a maior oportunidade de negócios que as empresas têm para explorar. Segundo a consultoria Boston Consulting Group, em 2030 as pessoas acima de 55 anos serão responsáveis por 50% do crescimento dos gastos de consumidores desde 2008 nos Estados Unidos. No Japão, serão 67%; na Alemanha, 86%.
Quer uma evidência visual deste avanço nos gastos dos idosos? Basta olhar os estacionamentos dos shopping-centers. Até alguns anos atrás, havia quatro ou cinco vagas para idosos perto dos elevadores. Hoje, na maioria dos shoppings, há dezenas delas.
Apesar dos crescentes gastos dessa parcela da população, as empresas têm feito muito poucos esforços para atrair seu interesse. Nos Estados Unidos, menos de 15% das companhias tem qualquer estratégia específica para os mais velhos. E menos de 10% das verbas de marketing se destinam ao público acima de 50 anos.
Esses números, que Coughlin apresenta em seu livro, só fazem sentido ante a crença de que os velhos querem ser jovens para sempre, e mantêm preocupações de jovens (por isso ficariam até felizes em pegar carona no marketing dirigido primordialmente à faixa dos 18 aos 49 anos). Se essa tese estiver correta, é um triste sinal para a humanidade.
A tal da melhor idade (um eufemismo que na verdade significa ocaso) seria uma eterna corrida para ficar no mesmo lugar. Uma corrida não para ganhar, mas para perder o mais lentamente possível. Mas será assim a vida real? As pessoas não aprendem nada ao longo dos anos, elas anseiam pelo mesmo tipo de paixão de quando tinham 15 anos, seus problemas são os mesmos?
Se o que caracteriza a velhice é a falta de juventude, faria algum sentido a declaração do ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, de que os velhos deviam “se apressar e morrer”. Afinal, a hostilidade em relação aos velhos deriva da noção de que eles são um grande custo, um fardo a carregar. Mas mesmo no Japão, cuja língua tem até uma palavra especial para o homicídio de idosos (Ubasute, o ato de levar um parente doente ou idoso para o alto de uma montanha e deixá-lo lá), a realidade é menos drástica do que parece. De acordo com historiadores, o Ubasute é mais uma lenda do que uma prática real. E o fardo das pessoas idosas não é assim tão pesado. O custo de saúde no país atinge cerca de 10% do PIB, menos que a média de outros países avançados (nos EUA, a cifra é 17%). De acordo com Coughlin, essa nossa noção da velhice não é natural. Ela foi construída. E se foi construída, pode ser modificada.
A construção da velhice
Historicamente, diz Coughlin, em diversas culturas e épocas, o envelhecimento era uma experiência individual, não uma idade predeterminada e não com as mesmas regras para todos. Foi na segunda metade do século 19 que isso começou a mudar, com o surgimento dos planos de pensão, dos asilos e de outras instituições destinadas exclusivamente aos idosos. Não é que os velhos tivessem vida fácil. Em várias culturas, sim. Especialmente nas sociedades iletradas e tradicionais, pessoas idosas representavam a memória, o apego à própria identidade e aos costumes. Não à toa, o Senado era formado por anciões. Assim como os conselhos de tantas tribos ao longo da história humana.
Nos tempos modernos, porém, a tradição perdeu terreno para o progresso. O novo passou a valer mais que o antigo. E o antigo podia ser consultado em livros. Os velhos perderam status. No século 19, considerava-se que uma pessoa se tornava velha quando sua “energia vital” começava a chegar ao fim. Acreditava-se, então, que os seres humanos vinham ao mundo com uma reserva de energia vital, mais ou menos como uma bateria. Sexo e diversões em geral ajudavam a gastar mais rapidamente essa reserva.
Os médicos tinham um nome para essa fase da vida: o período climatérico, associado aos cabelos brancos, à menopausa, às rugas, a sensações de fraqueza. Mesmo o revolucionário Sigmund Freud afirmou, em 1904, que as pessoas “perto ou além dos 50 anos não têm a plasticidade e os processos psíquicos dos quais depende a terapia” psicanalítica. Estava, em suma, rejeitando clientes para a sua linha terapêutica – algo que tantas empresas andam fazendo.
O termo “geriatria” foi cunhado em 1909, e os primeiros livros sobre geriatria são de 1914. Em poucos anos, a velhice se tornou um problema a ser resolvido. Por essa época começaram a tomar forma os asilos para velhos. Nos séculos anteriores, os velhos ficavam com suas famílias. Quando isso não era possível, iam para asilos – onde ficavam ao lado de bêbados e criminosos.
Também começava a se espalhar a ideia da aposentadoria. Originária da Alemanha, criação do homem-forte do país, Otto von Bismarck, em 1889, a aposentadoria originalmente começava aos 70 anos.
Anos depois, estabeleceu-se em vários países a idade de 65 anos.
Os planos de pensão de empresas nasceram um pouco antes. Em 1875, a American Express Company, então uma empresa de correios, estabeleceu um sistema de pensão privado. Em 1910, dezenas de
empresas haviam aderido à prática.
No início do século 20, a velhice havia se transformado, de uma questão individual a ser tratada pela família, em uma fase da vida, com data marcada para começar, e com instituições próprias para lidar com o assunto.
Aposentadoria: prêmio e castigo
Esse afastamento cada vez mais compulsório do mundo do trabalho se dava com a contrapartida de uma promessa de uma vida de lazer e contemplação. A tal da “melhor idade”. Para sustentar esse ócio contava-se com duas coisas: uma economia em expansão, que podia ser pródiga na distribuição de benesses, e uma expectativa de vida relativamente curta. Dava-se muito, mas por pouco tempo.
Nenhuma dessas condições existe hoje, e o debate sobre previdências em geral, no mundo todo, é camuflado por ideologias e posições políticas, mas é antes de qualquer coisa uma questão aritmética. A não ser para alguns privilegiados e outros tantos previdentes, capazes de manter seu padrão de vida sem trabalho por muitos anos. Para estes, o sonho da aposentadoria se cumpriu.
Não o ócio criativo. O ócio ocioso, mesmo.
E este é um dos pontos mais interessantes que Coughlin não chega a elaborar, mas deixa claro: a aposentadoria é uma dessas armadilhas da vida, como a obesidade ou o vício em séries de TV: atingir nossos desejos nem sempre é o melhor para nós. No caso da aposentadoria, o trabalho é um fator de identidade, de auto-respeito, de propósito. Ainda mais hoje em dia, em que a vida comunitária foi esvaziada e a vida familiar se esvaiu (as grandes famílias viraram famílias nucleares). No paraíso da melhor idade, as pessoas são principalmente consumidoras. E quando Coughlin pergunta quais os avanços tecnológicos para essa faixa, diz ouvir sempre as mesmas respostas: remédios melhores, robôs para cuidar dos velhos.
Não há dúvida de que são avanços importantes. Mas restringem a velhice a um problema a ser resolvido. E há vários estágios intermediários, entre o vigor da juventude e a completa dependência. É isso o que poucas empresas estão enxergando, diz ele. Estão perdendo não apenas a oportunidade de atender a um público crescente, mas ao público todo. Seu argumento é que produtos bons para os idosos são em geral bons para todos. Um exemplo é o microondas, criado a princípio para esse público, mas que conquistou a sociedade como um todo. Outro exemplo é o smartphone: a possibilidade de alterar o tamanho das letras e dar comandos por voz inclui os idosos sem ser condescendente.
Se dar mais oportunidades de consumo seria um avanço, a verdadeira solução para a questão da idade seria… esquecê-la. Pelo menos no que diz respeito ao mercado de trabalho. Os velhos hoje têm demonstrado que querem trabalhar. Para começar, o mítico obstáculo da tecnologia tem sido transposto pela nova velha geração. Em 2000, só 14% dos americanos idosos usava a internet; esse número quadruplicou. Mas o preconceito impede maiores avanços. Em 2010, de 114 companhias que receberam investimentos em estágio inicial, metade foi para empreendedores de 35 a 44 anos. E os jovens com menos de 35 anos receberam duas vezes mais investimentos que os acima de 45. Considerando-se que metade das startups nos EUA é fundada por gente de mais de 45 anos, fica claro que a idade pesa na cabeça dos investidores.
O nível de empreendedorismo entre os mais velhos quase dobrou desde meados da década de 1990, de acordo com a Fundação Ewing Marion Kauffman, de 14,8% para 25,8% em 2014. E os mais velhos têm a mais alta taxa de empreendedorismo por oportunidade (em oposição ao empreendedorismo por necessidade). Coughlin é um otimista. Ele acredita que, com a chegada à velhice da geração do baby boom americano, várias barreiras serão rompidas. Porque a geração mais transformadora da história vai “lutar por trabalho, buscar romance, ter ambição social, contribuir com a cultura”.
Tomara que ele esteja certo, e que este fenômeno seja mundial. Seria a liberação de mais uma força econômica – e um ótimo exemplo para tantos jovens cuja maior ambição é se aposentar antes dos 50.
Fonte:https://exame.abril.com.br/economia/o-poder-da-idade/

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