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A fadiga que nasce da inatividade
Ausência de movimento compromete processos do corpo, alimentando ciclo de cansaço constante
Por
Chico Salgado
18/04/2026 04h30 Atualizado agora
A rotina intensa, o estresse e até mesmo a má qualidade do sono possuem uma relação direta com algo básico que muitas vezes é negligenciado, e eles silenciosamente vão sendo normalizados. Sinais como cansaço constante, falta de disposição e a sensação de peso no corpo nada mais são do que ausência de movimento.
Nas últimas décadas, houve uma mudança significativa no estilo de vida do ser humano, que passou a ser marcado pelo sedentarismo. Ocorre que o corpo humano foi projetado para o movimento, e do ponto de vista evolutivo nós passamos milhares de anos em constante atividade, tanto para sobrevivência quanto para o deslocamento e, principalmente, o trabalho.
Estudos sobre a fisiologia do exercício demonstram que reduzir os níveis de atividade física impactam diretamente nos sistemas fundamentais do organismo, o que inclui o sistema cardiovascular, neurológico e também o metabólico.
Uma pessoa que fica inativa por longos períodos diminui a eficiência do sistema cardiorrespiratório, significando que o transporte do oxigênio para todos os tecidos se torna menos eficaz. Isso resulta em uma sensação de fadiga precoce, mesmo diante de atividades corriqueiras do cotidiano. A inatividade reduz a produção de mitocôndrias, que são as estruturas celulares responsáveis pela geração de energia, comprometendo diretamente a disposição física.
O impacto hormonal é um ponto importante. Praticar exercícios físicos de forma regular está associado ao aumento de liberação de substâncias como a endorfina, a dopamina e serotonina, os neurotransmissores responsáveis por regular o humor, a motivação e também a sensação de bem-estar. Já o sedentarismo favorece o desânimo, a falta de vontade, a apatia e até mesmo quadros de ansiedade, potencializando uma depressão leve.
A falta de atividade física contribui para o aumento dos processos inflamatórios do nosso organismo. Isso já está comprovado pela ciência. Essa inflamação crônica de baixo grau está relacionada à sensação persistente de cansaço, às dores musculares e à dificuldade de recuperação física. Ou seja, o corpo não apenas se sente mais pesado como de fato ele está funcionando de forma menos eficiente.
A literatura científica traz dados consistentes demonstrando que pequenas mudanças diárias são capazes de gerar um grande impacto positivo no corpo humano. O que vale destacar é que essas são mudanças de menor escala. Não estamos nos referindo a treinos intensos ou rotinas exaustivas e exageradas de academia. Podemos citar caminhadas regulares, exercícios de mobilidade, atividades aeróbicas e até mesmo pausas ativas ao longo do dia. Tudo isso faz com que a circulação melhore e os níveis de dopamina aumentem, promovendo maior disposição.
Quanto mais o corpo se move, mais apto ele se torna para continuar em movimento. É como a lei da física: um corpo inerte tende a ficar inerte, e o contrário também é verdadeiro. É como um ciclo virtuoso e benéfico. Em contrapartida, a inatividade é capaz de gerar um ciclo oposto, levando ao estresse e à falta de neurotransmissores responsáveis pelo humor. Uma vez intensificado esse processo, intensifica-se também o cansaço.
Ao invés de buscar soluções imediatistas, complexas e exageradas para o cansaço diário, é necessário olhar para o básico. Adicionar o movimento à rotina não é só o fator físico, mas também uma estratégia que se torna fundamental para o funcionamento ideal e adequado do organismo.
O que parece ser falta de energia é, na verdade, falta de estímulo fisiológico. O corpo, estimulado do jeito certo, responde com leveza, disposição e principalmente, mais qualidade de vida.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/chico-salgado/post/2026/04/a-fadiga-que-nasce-da-inatividade.ghtml
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