ÁLCOOL É UM DOS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO DE CÂNCER, APONTA ESTUDO; O OUTRO MUITO IMPORTANTE, É O CIGARRO INCLUINDO TAMBÉM O ELETRÔNICO
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classifica as bebidas alcoólicas como carcinógeno do Grupo 1. — Foto: Adobe Stock
Álcool é um dos principais fatores de risco para câncer, aponta estudo
Cerca de 4% dos casos de câncer no mundo estão associados ao consumo de álcool, segundo a IARC. Especialistas explicam os riscos e se existe uma quantidade segura de consumo.
Por Lara Cáfaro*, g1
14/03/2026 05h03 Atualizado há 3 semanas
O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer, segundo especialistas e estudos internacionais. Mesmo assim, a relação entre álcool e a doença ainda surpreende parte da população quando aparece em vídeos ou campanhas nas redes sociais.
Um estudo realizado por pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) aponta que o consumo de bebidas alcoólicas é um fator de risco importante e evitável. A estimativa é que o álcool seja responsável por cerca de 4% de todos os casos de câncer no mundo.
Especialistas ouvidos pelo g1 explicam quais são os principais riscos, se existe uma quantidade segura de consumo e quais são as recomendações de saúde.
Tipos de câncer associados ao álcool
O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer, entre eles:
- cavidade oral
- glândula salivar
- faringe
- laringe
- esôfago
- cólon
- reto
- fígado
- mama
- estômago
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classifica as bebidas alcoólicas como carcinógeno do Grupo 1, a categoria mais alta de risco. Isso significa que há evidências suficientes de que o álcool causa câncer em humanos.
Como o álcool causa câncer?
Segundo as nutricionistas da área técnica do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Maria Eduarda Leão e Gabriela Vianna, o etanol presente nas bebidas alcoólicas, ao ser metabolizado no organismo, se transforma em acetaldeído, uma substância com alto potencial carcinogênico.Esse composto pode provocar danos no DNA das células.
O álcool facilita a entrada de outras substâncias carcinogênicas no organismo, provenientes da dieta ou do ambiente. Um exemplo é a combinação entre álcool e tabaco, que pode provocar danos específicos no DNA das células, que são potencializados na presença do álcool. Por isso, a associação entre os dois aumenta ainda mais o risco de câncer de boca, faringe e laringe.
“O álcool também aumenta o estresse oxidativo nas células e favorece processos inflamatórios. A inflamação crônica aumenta o risco de lesões no DNA. Dependendo da forma de ingestão, o álcool também pode alterar a absorção de nutrientes importantes para o funcionamento do sistema imunológico”, explica a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Clarissa Baldotto.
Metodologia da pesquisa
O estudo foi realizado como uma revisão científica abrangente, o que significa que os autores não fizeram um novo experimento com pessoas, mas analisaram e resumiram as evidências que já haviam sido publicadas por outros cientistas até junho de 2021:
- Busca em bancos de dados: os pesquisadores identificaram bibliotecas digitais de medicina em busca de estudos que mostrassem estatísticas de câncer e os processos biológicos que explicam como a doença surge.
- Seleção de provas: eles focaram em metanálises (estudos que combinam resultados de centenas de outras pesquisas para dar um veredito mais confiável) e em relatórios de instituições, como o Fundo Mundial de Pesquisa sobre o Câncer (WCRF).
- Uso da Genética (Randomização Mendeliana): para ter certeza de que o álcool é a causa do câncer (e não apenas uma coincidência), eles analisaram estudos que utilizam variantes genéticas.
Existe um nível seguro de consumo?
De acordo com os estudos, não existe um nível de consumo de álcool que possa ser considerado totalmente seguro em relação ao risco de câncer.
Embora o risco varie de acordo com o tipo de tumor, as evidências indicam que mesmo níveis baixos de consumo podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença.
Um estudo estima que mais de 100 mil casos de câncer registrados em 2020 foram associados ao consumo leve a moderado de álcool, o equivalente a cerca de uma ou duas doses por dia.
“As evidências apontam que o fator mais importante para o aumento do risco de câncer é a quantidade de etanol consumida. Existe um efeito dose-resposta: quanto maior o consumo, maior o risco de alguns tipos de câncer”, explicam as nutricionistas do INCA.
Elas também indicam que o aumento do risco ocorre mesmo em doses muito baixas. Por isso, não há níveis seguros de ingestão em relação ao câncer. Todos os tipos de bebidas alcoólicas têm impacto semelhante no risco: cerveja, vinho ou destilados.
Álcool e saúde pública
O Instituto Nacional de Câncer afirma que desenvolve ações para ampliar a conscientização da população sobre os riscos associados ao consumo de álcool.
Entre elas está a participação nas discussões da reforma tributária, especialmente sobre o chamado imposto seletivo, que incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde.
“Já existem evidências científicas suficientes de que o preço é um fator importante para o consumo. Por isso, a cobrança desse imposto é fundamental para desestimular o uso de um produto reconhecidamente nocivo à saúde. No Brasil, estudos indicam que duas pessoas morrem por hora por causas atribuíveis ao consumo de álcool. Para o câncer, sabemos que não há níveis seguros de ingestão. Portanto, não há coerência em promover incentivos ou benefícios à produção e comercialização desses produtos”, afirmam as especialista do INCA.
Os autores do estudo concluem que, embora o álcool seja classificado como carcinógeno do Grupo 1 há mais de 30 anos, a conscientização pública sobre essa relação ainda é baixa. Por isso, defendem a ampliação de políticas de controle do álcool e estratégias de prevenção para reduzir a carga global da doença.
(Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/14/alcool-e-um-dos-principais-fatores-de-risco-para-cancer-aponta-estudo.ghtml
Conheça os dois hábitos que mais geram casos de câncer no mundo e como podem ser evitados, segundo a OMS
Mudar comportamentos não elimina completamente risco, mas pode reduzir consideravelmente impacto geral da doença
Por El País — Montevidéu
05/03/2026 04h01 Atualizado há um mês
Quase quatro em cada dez diagnósticos de câncer poderiam ser evitados. Essa foi a conclusão a que chegou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), em um relatório baseado em dados de 2022 de 185 países. O relatório concentra-se em fatores de risco evitáveis, particularmente dois hábitos muito comuns: o tabagismo e o consumo de álcool.
A análise identificou 30 fatores de exposição associados ao desenvolvimento de diversos tumores e estimou que 7,1 milhões de casos registrados em 2022 estavam ligados a causas evitáveis. Isso representa 37% de todos os novos diagnósticos de câncer no mundo. Especialistas acreditam que a modificação de certos comportamentos teria um impacto significativo na saúde pública.
Tabagismo: o principal fator de risco evitável
Segundo o relatório, o tabagismo é responsável por aproximadamente 15% de todos os novos casos de câncer no mundo. Isso não se limita ao câncer de pulmão: o uso de tabaco também está associado a tumores de bexiga, rim, fígado e pâncreas, entre outros. Os carcinógenos inalados entram na corrente sanguínea e afetam múltiplos órgãos.
Cigarros ainda são responsáveis pelas mortes de milhares de pessoas em todo o mundo
A OMS enfatiza que parar de fumar reduz significativamente o risco, mesmo em pessoas que fumam há anos. Além disso, alerta que a exposição ao fumo passivo continua sendo um problema de saúde pública, pois aumenta o risco também em não fumantes.
Álcool: risco direto e cumulativo
O consumo de álcool surge como outro importante fator de risco evitável, associado a 3% dos novos diagnósticos de câncer em todo o mundo. A relação é direta: quanto maior a ingestão, maior o risco, e não existe um nível completamente seguro.
A organização internacional alerta que o álcool pode danificar tecidos e facilitar a ação de substâncias cancerígenas em áreas como boca, garganta, esôfago, fígado e cólon. Além disso, observa que o consumo está aumentando em diversos países de baixa e média renda, o que pode impactar os números futuros.
O estudo foi liderado por André Ilbawi, membro da OMS, que afirmou que, pela primeira vez, foi possível quantificar claramente a parcela do risco proveniente de causas controláveis. Nesse sentido, ele enfatizou que as decisões individuais — como parar de fumar ou moderar o consumo de álcool — devem ser complementadas por políticas públicas robustas: regulamentação, campanhas de prevenção e acesso a informações baseadas em evidências.
A mensagem é clara: embora o câncer seja uma doença complexa e multifatorial, uma parcela significativa dos casos está associada a hábitos modificáveis. Mudar comportamentos não elimina completamente o risco, mas pode reduzir consideravelmente o impacto geral da doença.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/03/05/conheca-os-dois-habitos-que-mais-geram-casos-de-cancer-no-mundo-e-como-podem-ser-evitados.ghtml
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Cigarro eletrônico pode causar câncer de pulmão e bucal, diz estudo
Revisão científica liderada por pesquisadores australianos aponta sinais biológicos pré-cancerígenos associados ao uso de vapes, e pesquisadores pedem ação imediata de reguladores
Por
31/03/2026 10h01 Atualizado há 4 dias
Durante décadas, o cigarro convencional foi tratado com condescendência pela ciência e pela indústria: levou um século até que o governo americano reconhecesse formalmente, em 1964, que fumar causava câncer de pulmão. Agora, pesquisadores alertam que o mundo pode estar repetindo o mesmo erro com os cigarros eletrônicos, os chamados vapes.
Uma revisão científica publicada nesta semana no periódico Carcinogenesis, liderada por pesquisadores da Universidade de New South Wales (UNSW), em Sydney, concluiu que o uso de vapes provavelmente provoca câncer de pulmão e câncer bucal. O estudo é uma das análises mais abrangentes já realizadas sobre o tema, reunindo evidências de estudos em animais, relatos clínicos e pesquisas laboratoriais publicadas entre 2017 e 2025. As informações são do jornal The Guardian.
A revisão não chegou a calcular quantas pessoas podem desenvolver câncer por causa dos vapes — o histórico de uso ainda é curto demais para isso, já que os cigarros eletrônicos modernos só surgiram no início dos anos 2000. Além disso, muitos usuários de vapes também fumam cigarros convencionais, o que dificulta isolar os efeitos de cada hábito.
O que os pesquisadores fizeram foi diferente: avaliaram se a inalação do vapor de cigarros eletrônicos provoca no organismo as mesmas alterações biológicas conhecidas por anteceder o surgimento de tumores malignos, entre elas, danos ao DNA e processos inflamatórios crônicos. A resposta foi afirmativa.
"Não há dúvida de que as células e os tecidos da cavidade oral, a boca e os pulmões são alterados pela inalação de cigarros eletrônicos", afirmou ao The Guardian o professor Bernard Stewart, coautor do estudo e pesquisador adjunto da UNSW.
A revisão também incorporou relatos de dentistas que identificaram câncer bucal em pacientes que nunca haviam fumado cigarros convencionais, apenas vapes. E mencionou um experimento com camundongos no qual os animais expostos à fumaça de cigarros eletrônicos desenvolveram tumores pulmonares em proporção maior do que os não expostos, embora resultados em animais nem sempre se repliquem em humanos.
A comparação com o tabaco e os limites do debate
O coautor Freddy Sitas, epidemiologista e professor associado, lembrou que foram necessários quase 8 mil estudos e um século de evidências acumuladas para que os Estados Unidos reconhecessem oficialmente o cigarro como causa de câncer. Segundo Calvin Cochran, pesquisador da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, esse processo histórico deveria servir de alerta.
"Corremos o risco de repetir o mesmo destino com o vaping se não levarmos a sério as pesquisas emergentes e os sinais de alerta", disse Cochran. Para ele, não haverá um momento único e definitivo em que se possa cravar que o vape causa determinado tipo de câncer. Essa conclusão está "anos, provavelmente décadas, à frente".
Nem todos os especialistas, porém, compartilham do mesmo grau de preocupação. O professor Stephen Duffy, da Universidade Queen Mary de Londres, ponderou que seria um "excesso de interpretação" equiparar os riscos dos vapes aos do cigarro convencional com base nesta revisão, uma vez que os cigarros eletrônicos não envolvem combustão, processo que libera substâncias altamente cancerígenas no tabaco comum.
Stewart, por sua vez, argumentou que o vape precisa ser avaliado pelos seus próprios riscos, e não apenas em comparação ao cigarro. "Não é uma alternativa ao cigarro... Não é alternativa a nada no contexto de ser mais seguro. É perigoso, e essa é a mensagem", afirmou ao The Guardian.
Um ponto central da pesquisa é justamente o público que nunca teve contato com o tabaco. A professora Becky Freeman, pesquisadora de controle do tabagismo na Universidade de Sydney, destacou que o estudo é o primeiro a afirmar que há um aumento provável no risco de câncer para quem usa vapes em comparação a quem não usa nenhum produto e que isso é especialmente relevante para jovens que jamais fumaram.
"O vaping não é uma alternativa segura ao cigarro para não fumantes", disse Freeman ao The Guardian.
Sitas também chamou atenção para uma dificuldade prática: ao contrário do cigarro convencional, para o qual existem recursos terapêuticos consolidados, como gomas de nicotina e medicamentos específicos, as estratégias para ajudar as pessoas a abandonar o vape ainda são inconclusivas.
O que dizem os reguladores
O estudo surge em um momento de crescente pressão sobre autoridades sanitárias ao redor do mundo. Na Austrália, onde a pesquisa foi conduzida, a legislação já restringe a venda de cigarros eletrônicos a farmácias, com acesso permitido apenas para quem os utiliza como ferramenta de cessação do tabagismo.
Para Sitas, os reguladores precisam agir com base no conjunto de evidências disponível, sem aguardar uma conclusão científica definitiva que pode demorar décadas. "O que é importante é que os reguladores tenham à sua disposição o espectro completo de evidências", afirmou ao The Guardian.
O caminho traçado pela pesquisa australiana não aponta para uma proibição imediata, mas para uma mudança de postura: tratar o cigarro eletrônico não como uma alternativa inócua ao tabaco, mas como um produto com riscos próprios. Ainda em investigação, mas já suficientemente documentados para exigir atenção regulatória.
Fonte:https://epocanegocios.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2026/03/cigarro-eletronico-pode-causar-cancer-de-pulmao-e-bucal-diz-estudo.ghtml
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