'NINGUÉM FALA QUE SE VOCÊ COLOCAR SILICONE PODE TER CÂNCER' - OS MOTIVOS DO EXPLANTE E RISCOS APÓS A COLOCAÇÃO DA PRÓTESE: A VALORIZAÇÃO DOS SEIOS NATURAIS
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Evelin Camargo faz alerta após linfoma: ‘Ninguém fala que se você colocar silicone pode ter câncer’
Atriz e criadora de conteúdo descobriu um linfoma associado à prótese mamária após notar um inchaço repentino. Passado o susto, ela ainda se recupera do baque emocional
Por
Marcella Centofanti
, em Colaboração para Marie Claire — de São Paulo (SP)
03/04/2026 06h01 Atualizado há 4 dias
Em meados de dezembro de 2025, a atriz e criadora de conteúdo Evelin Camargo percebeu algo estranho: sua mama esquerda havia aumentado de tamanho de um dia para o outro. Além disso, ela sentia desconforto na região da axila. Desconfiada, ela foi ao hospital por orientação de uma amiga ginecologista.
Um mês e alguns exames depois, Evelin receberia diagnóstico de um tipo de câncer, o linfoma anaplásico de grandes células, conhecido pela sigla BIA-ALCL. Mais chocante do que descobrir a doença, no entanto, foi a sua causa: as próteses de silicone que ela colocou em 2019.
De acordo com a Sociedade Americana do Câncer, o BIA-ALCL é um tipo raro de linfoma não-Hodgkin que pode se desenvolver vários anos após a colocação da prótese. "Ele ocorre com mais frequência em implantes com superfície texturizada (áspera) do que em implantes de superfície lisa. O BIA-ALCL pode se manifestar como acúmulo de líquido, presença de nódulo, dor ou inchaço próximo ao implante, ou ainda como assimetria (mamas desiguais)", informada a entidade.
Trata-se de um câncer do sistema imunológico, e não de um tipo de câncer de mama, aponta a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos. Seu risco é incerto. Segundo a mesma sociedade, ele é estimado entre 1 em 2.207 e 1 em 86.029 para pessoas com implantes texturizados.
A cirurgia plástica nas mamas
Evelin relembra que a decisão de se submeter à cirurgia plástica ocorreu por uma combinação de fatores. Por seios volumosos, ela tinha dores, marcas na pele e dificuldade para se vestir. Ao optar pelo procedimento de redução das mamas, ela acatou a sugestão médica de colocar implantes pequenos para dar sustentação ao novo formato.
“As mulheres da minha família têm muita mama e também já operaram. Eu tinha muita dor nas costas e até hoje faço pilates e RPG para ajeitar a postura. Mas a motivação também era estética. Eu queria poder colocar uma roupa na qual eu me sentisse um pouco melhor”, diz.
No procedimento, foram retirados cerca de dois quilos de tecido mamário, e implantadas próteses de pouco mais de 200 ml. O resultado trouxe alívio físico e também mais conforto na relação com o próprio corpo.
Cerca de três anos após a operação, no entanto, Evelin percebeu que as próteses se deslocaram para baixo, algo que foi associado a características da própria pele e ao fato de o implante estar acima do músculo. A atriz se consultou com cirurgiões plásticos para uma nova cirurgia, desta vez com enxerto de gordura, mas não tinha pressa de marcar o procedimento.
Um sintoma inesperado
A mudança repentina na mama esquerda, em 2025, foi algo diferente. “Quando fui tomar banho e me olhei no espelho, assustei. A diferença era gritante. Dormi de um jeito, acordei do outro”, lembra.
No hospital, um ultrassom e uma ressonância magnética indicaram a presença de líquido na mama, mas a prótese estava íntegra. A hipótese inicial era de seroma tardio, uma complicação conhecida, embora o laudo levantasse a possibilidade de BIA-ALCL. O médico hospital liberou a paciente, dizendo que não era nada. Evelin, porém, decidiu buscar uma segunda avaliação com um cirurgião plástico, que solicitou a punção do líquido para análise.
A confirmação do câncer
O exame foi feito em 23 de dezembro. A primeira análise não indicava alterações, mas a imunoistoquímica, um teste mais detalhado, confirmou o diagnóstico de BIA-ALCL. Em 23 de janeiro, Evelin leu o resultado em casa e, diante do termo técnico, buscou o significado na internet.
“Encaminhei o laudo pra minha mãe, para o médico e joguei no Google, para confirmar se era o que eu estava entendendo. O principal sintoma era o inchaço repentino da mama. Eu comecei a chorar”, conta.
A notícia abalou não só pelo impacto do diagnóstico, mas também pela sensação de ignorância sobre o risco. “Por que ninguém fala que você vai colocar uma prótese de silicone e pode ter câncer? Isso é o que mais me deixa mais abalada”, lamenta.
Tratamento e cirurgia
Antes da operação, Evelin precisou fazer um PET-Scan para verificar se havia comprometimento de outras áreas do corpo, já que o linfoma pode atingir linfonodos e outros tecidos, causando metástase. O exame, felizmente, apontou que a doença estava restrita à área da prótese.
Realizada na segunda-feira de Carnaval, a cirurgia durou 7 horas, mais do que o previsto. O procedimento consistiu na retirada das próteses, da cápsula formada ao redor delas e do líquido acumulado. Não será necessário mais nenhum tratamento. A recomendação é apenas fazer exames periódicos.
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Pouco mais de um mês após o explante, Evelin já voltou a dirigir e a praticar atividade física. Seu estado psicológico, porém, segue um pouco abalado. “Tem uma parte de culpa. Por que eu fiz isso comigo mesma? Por que eu coloquei a prótese? Se eu não tivesse colocado, eu não teria passado por nada disso”, reflete.
Um novo corpo
A retirada dos implantes também trouxe uma mudança significativa na autoimagem da atriz. Com pouco tecido mamário remanescente, o volume das mamas ficou bem menor do que em qualquer outro momento da vida.
“É muito diferente, parece que eu fiquei mais alta. Nem quando eu tinha 15 anos meu peito era tão pequeno. Nas primeiras semanas eu quase não me reconhecia. Não é que eu não gostava do meu reflexo, mas não parecia eu”, diz. Por outro lado, ela reconhece o alívio de não ter mais a doença.
Evelin se surpreendeu com a repercussão da notícia nas redes sociais. Seu vídeo sobre o diagnóstico ultrapassou 2 milhões de visualizações só no Instagram, acompanhado de comentários com histórias parecidas e de mulheres que nunca tinham considerado esse tipo de risco.
“Eu fiz um vídeo como um alerta, porque eu nunca tinha visto ninguém falar sobre isso abertamente. Se eu soubesse, pelo menos eu teria a opção de escolher. Eu achei que [a cirurgia] só tinha prós, não contras. E o contra, no meu caso, foi bem pesado.”
Fonte:https://revistamarieclaire.globo.com/saude/noticia/2026/04/evelin-camargo-sobre-o-diagnostico-de-linfoma-ninguem-fala-que-se-voce-colocar-silicone-pode-ter-cancer.ghtml
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Os motivos que levam as mulheres a fazerem explante de próteses de silicone
Saúde e mudança de padrão estético impulsionaram o número de remoção de implantes no país
Por Juliana Costa, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
16/06/2023 14h29 Atualizado há 2 anos
Desde 2018, os números de explante de prótese mamária crescem no Brasil. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, naquele ano, 14,6 mil cirurgias do gênero foram realizadas. Em 2019, o número pulou para 19,4 mil, e em 2020 chegou aos 25 mil.
As razões vão desde necessidade por saúde até uma mudança nos padrões estéticos, como aponta o cirurgião plástico Ricardo Cavalcanti, que também é chefe da divisão de cirurgia plástica da UNIRIO.
“A tendência de padrões de beleza pode influenciar as preferências individuais, mas a decisão de remover os implantes deve ser baseada nas necessidades e desejos de cada pessoa. Algumas mulheres podem optar por remover os implantes para atingir uma aparência mais natural, enquanto outras podem preferir mantê-los”, diz o médico.
Segundo a neuropsicóloga Rachel Campos, os padrões estéticos estão ligados ao conceito de beleza na construção da autoestima, podendo estar relacionados ao transtorno dismórfico corporal.
Os motivos para a retirada da prótese
De acordo com Luís Felipe Maatz, cirurgião plástico especialista em reconstrução mamária pelo Hospital Sírio-Libanês, alguns sintomas podem indicar uma possível necessidade por critérios de saúde:
- Exposição a um estímulo externo, como infecções, antes das manifestações clínicas abaixo:
- Mialgia, miosite ou fraqueza muscular;
- Artralgia e/ou artrite;
- Fadiga crônica, sono não repousante ou distúrbios do sono;
- Manifestações neurológicas, especialmente associadas com desmielinização, isto é, um desgaste na mielina, substância que "encapa" os nervos;
- Alteração cognitiva, perda de memória;
- Febre, boca seca;
O cirurgião plástico Regis Milani complementa que a prótese pode ser trocada ou retirada por fins estéticos, como:
- Implantes mal posicionados, muito mediatizados ou lateralizados;
- Quando a mulher não se identifica mais com o volume do silicone, que pode parecer pequeno ou grande para o novo momento da paciente;
- Em casos de flacidez das mamas, que são comuns quando a pessoa sofre o efeito sanfona ou depois da gestação ou amamentação.
Qual a probabilidade de uma mulher com prótese ter algum tipo de complicação?
Os riscos dessa cirurgia geralmente são baixos e podem ser classificados em ordinários (relacionados a todo procedimento cirúrgico, como hematoma, infecção, abertura de pontos, cicatrizes inestéticas, alterações de sensibilidade, dores no local operado, aparecimento de estrias) e específicos (relacionados ao implante em si, como contratura capsular, ruptura da prótese e o chamado tumor anaplásico de células gigantes, um raro linfoma que pode se desenvolver na cápsula que se forma ao redor de próteses).
“Vale lembrar que as contraindicações para o implante são basicamente as mesmas para qualquer outra cirurgia plástica (como doenças sistêmicas descompensadas ou contraindicações a anestesia), além daquelas relacionadas às mamas, como período de amamentação atual ou recente e algumas doenças mamárias ativas”, reforça Luís Maatz.
O que pode ocorrer depois do explante?
Após o explante, em praticamente todos os casos há necessidade de realização de uma mastopexia (retirada de pele e reposicionamento dos tecidos mamários) para o melhor resultado estético.
Assim, a pessoa ganhará mais cicatrizes. O período pós-operatório será um pouco mais prolongado e com mais cuidados em relação ao processo de cicatrização, em comparação a primeira cirurgia.
Fonte:https://revistamarieclaire.globo.com/saude/noticia/2023/06/os-motivos-que-levam-as-mulheres-a-fazerem-explante-de-proteses-de-silicone.ghtml
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Em paz com o corpo: famosas retiram próteses de silicone e valorizam seios naturais; veja quando cirurgia é indicada
Onda de valorização da beleza natural está fazendo com que mulheres se empoderem e aceitem suas formas originais. Em conversa com a Ela, Dr. Jairo Casali fala sobre a cirurgia que virou tendência entre as celebridades. Confira!
Carolina, que colocou prótese para interpretar uma surfista na novela "Alto Astral", também refletiu sobre pressão estética:
"Até quando as pressões estéticas externas vão ditar os nossos processos? Será que é mesmo sobre o que achamos bonito ou é justo sobre aceitação? E até onde (e por que) nos permitimos ir numa busca de algo que talvez acalante os olhos, mas nunca o coração?."
Ícone de beleza, Isabeli Fontana alertou sobre sintomas pouco divulgados. "Eu acordava de madrugada com uma dor no peito... Uma sensação de peso", comentou nas redes. Já a apresentadora Rafa Brites avaliou os dois lados da vaidade.
"O meu corpo não precisa estar a serviço da sociedade. Precisa estar a serviço do meu bem-estar. Essa luta (pela vaidade) a gente nunca vence, a gente nunca descansa. A nossa valia vem pela beleza, pela juventude, porque a gente ainda não tinha o poder econômico e político", declarou ao "Globo Repórter".
Retirada de silicone: quando o explante é indicado
Em conversa com a Ela, Dr. Jairo Casali fala que o procedimento é feito prezando a saúde da mulher. "A remoção de implantes mamários de silicone, chamada de explante mamário, é uma cirurgia plástica que pode ser realizada por motivações estéticas, quando a mulher já não deseja ter mamas com aquela forma, ou por indicação médica específicas, quando há implicações comprovadas na saúde da paciente relacionadas ao uso do implante", diz.
O cirurgião plástico salienta que, na ampla maioria dos casos, a questão estética ainda predomina, já que as complicações médicas do uso do silicone são estatisticamente muito pequenas.
Giovanna Antonelli, Manu Gavassi, Fiorella Mattheis, Amanda Djehdian e Monica Benini também são algumas das celebridades que passaram pelo processo de retirada. Veja fotos na galeria abaixo:
Explante de silicone: famosas retiram suas próteses de silicone
Quanto tempo dura a cirurgia e como é sua recuperação
Dr. Jairo conta que a cirurgia de explante mamário consiste em duas partes: a remoção do implante de silicone e de sua cápsula e, em seguida, a reconstrução daquela mama, com pele, glândula e, muitas vezes, com enxertia de gordura da paciente, coletada por lipoaspiração.
"É uma cirurgia que pode durar em torno de 3h, com variações específicas de cada caso. Uma internação hospitalar de um dia costuma ser suficiente para se conduzir este tipo de caso. A recuperação costuma ser tranquila, com pouca dor e com cuidados mais intensos com a mama na primeira semana. A paciente pode voltar ao trabalho por volta do décimo dia de pós-operatório e voltar a ter atividades físicas após cerca de 30 dias", detalha.
Como fica a mama após o explante
O volume da nova mama, segundo Dr. Jairo, certamente será menor, mas vai depender do quanto de glândula própria e de gordura mamária a mulher tinha antes do explante. "Casos em que o silicone respondia por grande parte do volume anterior das mamas são muito desafiadores", afirma.
"É crucial que a paciente entenda que a mama provavelmente ficará muito menor, pois mesmo com uso de gordura, não se consegue chegar a volumes elevados por razões técnicas. No entanto, as mulheres que buscam essa cirurgia costumam ter essa expectativa já bem trabalhada. Geralmente, as cicatrizes mamárias resultantes são semelhantes às da cirurgia de mastopexia, ou seja, em formato de T ou ou L, e podem ter ótimo aspecto ao final, se bem cuidadas", pontua.
Possíveis riscos da cirurgia
De acordo com Dr. Jairo, os riscos de uma cirurgia de explante, no geral, são os mesmos que todas as cirurgias das mamas.
"Pequenas intercorrências relacionadas à cicatrização são pouco frequentes. Já repercussões maiores à saúde da paciente podem ser prevenidas com um pré-operatório meticuloso, conduzido por um cirurgião plástico habilitado e experiente em instituições hospitalares com porte adequado. Preparo e planejamento sempre são fatores que diminuem riscos cirúrgicos", destaca.
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