DEPRESSÃO : O MITO DA CURA QUÍMICA


Acredita-se amplamente que tomar uma pílula para tratar depressão funciona ao reverter um desequilíbrio químico. Mas a Dra. Joanna Moncrieff, do departamento de ciências da saúde mental da Universidade College London, afirma que na verdade as pílulas põem os pacientes em “estados induzidos por medicamentos”.
Se você já se consultou sobre problemas emocionais em algum momento nos últimos 20 anos, você deve ter sido informado que possui um desequilíbrio químico e que precisava de remédios para corrigi-lo.
E não são apenas os médicos que pensam assim.
Revistas, jornais, organizações de pacientes e sites na internet publicaram a idéia que condições como a depressão, ansiedade, esquizofrenia e distúrbios bipolares podem ser tratados por drogas que ajudam a retificar um problema oculto do cérebro.
Pessoas com esquizofrenia e outras condições são frequentemente informadas de que precisam tomar medicação psiquiátrica pelo resto de suas vidas para estabilizar a química cerebral, assim como diabéticos precisam de insulina.
O problema que existe pouca justificação para essa visão das drogas psiquiátricas.
Tais drogas afetam as pessoas com problemas emocionais como o álcool ou a maconha o faz. São remédios psicoativos, que colocam pacientes em estados alterados da mente e do corpo. E afetam qualquer um, independentemente de existir um distúrbio mental ou não.
Para entender como isso afeta as pessoas, é preciso analisar primeiro os efeitos produzidos.
A Dra. Joanna Moncrieff acredita que tais remédios funcionam pois produzem estados induzidos que suprimem ou mascaram problemas emocionais. “Isso não quer dizer que remédios psiquiátricos não podem ser úteis, às vezes, mas que as pessoas precisam ter consciência do que fazem e dos efeitos que produzem.” Para a doutora, se os pacientes fossem bem informados, o tratamento com medicação talvez não parecesse sempre tão atraente.
Para tomar uma decisão em relação ao uso de tais medicamentos, médios e pacientes precisam de muito mais informações sobre a natureza dos remédios psiquiátricos e os efeitos que produzem. [BBC]

Muitos dos diagnosticados com depressão estão longe de deprimidas

Nunca foi tão fácil mandar a tristeza embora (quimicamente falando). É só ir no médico de sua preferência, contar seus lamentos e receber a receita de Lexapro ou algum remédio similar. Em algumas semanas você deve estar se sentindo mais feliz, certo?

Não necessariamente. Um estudo mostrou que grande parte da população que toma antidepressivos não sente efeito nenhum. Aproximadamente três milhões de pessoas, anualmente, fazem uso dos remédios sem obter resultados.
Há muitas razões para isso, mas uma delas é que grande parte das pessoas diagnosticadas com depressão não estão realmente doentes. Elas se sentem um pouco tristes e decidem recorrer à forma mais fácil de resolver seus problemas. Além disso a indústria farmacêutica pode estar atribuindo efeitos milagrosos aos remédios que na verdade não possuem tantas propriedades assim.

Por que antidepressivos normalmente não funcionam?

Especialistas afirmam que, em muitos casos, a substância age como um placebo e não como era de se esperar – oferecendo uma ajuda química ao paciente.
Mas é claro que este pode não ser o seu caso, portanto não deixe de se medicar simplesmente porque escrevemos que não faz efeito para uma parte dos pacientes. [Telegraph]

Pesquisas mostraram que os medicamentos antidepressivos não funcionam para aproximadamente metade das pessoas que os usam. Recentemente, um estudo com ratos tentou explicar o porquê dos remédios mais comuns (como o Prozac e o Zoloft) não tem o efeito desejado.
Esses remédios antidepressivos aumentam o nível de serotonina no organismo. A serotonina é um neurotransmissor, ou seja, uma substância que transmite mensagens químicas para o cérebro. Os pesquisadores constataram que ratos geneticamente modificado e que apresentavam maiores níveis de um tipo de receptor de serotonina respondiam menos aos antidepressivos.

Uma maior quantidade de receptores acaba umedecendo os neurônios produtores de serotonina e freando o sistema, fazendo com que os remédios não funcionem.
Para que essas conclusões fossem alcançadas, a equipe de pesquisadores manipulou ratos geneticamente, para que alguns tivessem mais receptores de serotonina e outros menos. Então os cientistas perceberam que, expostos a medicamentos antidepressivos, os ratos com menos receptores se tornavam mais corajosos na busca de comida do que aqueles com mais receptores. Ou seja, o antidepressivo fazia mais efeito para aqueles com menos receptores.

Os resultados podem ajudar os médicos a identificar medicamentos que não funcionem com determinado paciente e também pode auxiliar as empresas fabricantes de remédio a buscarem incorporar novas substâncias em suas fórmulas, para que os antidepressivos funcionem para todas as pessoas.
[Reuters]

Fonte:http://hypescience.com/18706-o-mito-da-cura-quimica/

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