ENVELHECIMENTO : REGRAS PARA QUALIDADE DE VIDA E LONGEVIDADE

 
 

Envelhecer bem é resultado de uma vida inteira regrada

O principal para chegar bem à terceira idade é não esperar cruzar essa marca para se cuidar.

 

“Coma frutas”, “pratique exercícios físicos regularmente”, “evite bebidas alcoólicas”, “não fume”. Com certeza, você já escutou ao menos um desses conselhos alguma vez na vida.
Não é de hoje que as pessoas têm ciência de que manter hábitos saudáveis faz com que a rotina e, principalmente, a velhice transcorram com mais tranquilidade e sem tantos percalços. Quando se é jovem, porém, a associação entre não se cuidar e ter problemas de saúde na terceira idade parece distante, quase impossível - afinal, ainda falta “tanto tempo”. Mas basta olhar para os lados para encontrar algumas provas vivas de que os antigos conselhos funcionam. “Envelhecimento não é sinônimo de doença”, frisa Leonardo Pitta, médico geriatra da clínica Vitallis.

Envelhecer não precisa se resumir a assistir à passagem do tempo. Segundo Pitta, há uma diferença entre o envelhecimento bem-sucedido e o comum, associado à diminuição gradual das capacidades físicas e mentais “em razão de perdas nas reservas funcionais dos órgãos e sistemas”. Quando o processo é cuidadoso, os efeitos do tempo e as perdas funcionais são minimizados. Para que isso aconteça, entretanto, é preciso se comprometer consigo mesmo desde cedo. “Avaliando esse processo sob o ponto de vista teórico, pode até parecer fácil, mas o envelhecimento bem-sucedido envolve um trabalho ativo com escolhas durante toda a vida, sendo que muitas delas devem ser feitas ainda na juventude”, completa o médico.

Viver com qualidade tornou-se o objetivo daqueles que não almejam deixar a Terra tão cedo. É claro que nem tudo depende de nós: o fator genético influencia o modo como envelhecemos. Mas o ambiente em que se vive e o estilo de vida são pontos importantíssimos para se tornar um idoso saudável. “Minimizar os impactos dos fatores externos, como hábitos que diminuem as reservas funcionais dos órgãos, é uma forma de chegar à velhice de forma saudável”, exemplifica Leonardo Pitta. Um desses hábitos de autossabotagem é o tabagismo — fumar tem impacto direto no aumento do risco de câncer de vias aéreas e de pulmão.
Se houvesse uma cartilha universal do envelhecimento saudável, a empresária Neide Dal Buono de Carvalho Lemos provavelmente seria a autora. Aos 78 anos, ela é frequentadora assídua de academias há 12 anos ininterruptos. Vai de segunda a sexta-feira, duas vezes ao dia: às 6h30 e à noite, quando acaba o expediente da loja de roupas que mantém há 33 anos. O gosto por atividades físicas começou quando ainda era criança e frequentava aulas de balé. Vieram os filhos e, com eles, a dificuldade para sair de casa. “Quando meus filhos nasceram (o mais velho tem 51 anos), não existia academia”, completa. “Eu fazia flexões e abdominais em casa mesmo, além de alguns exercícios aprendidos em um livro de ginástica.”

Todas as manhãs, ela abria o livro e imitava as posições. Aos 68 anos, Neide resolveu aderir ao mundo moderno dos aparelhos de fitness e matriculou-se em uma academia. Na época, ela já mantinha o hábito de caminhar e pedalar no Eixão aos domingos. “Achei que era coisa de gente jovem, mas entrei para fazer ioga. Depois, resolvi ampliar para o alongamento”, revela. Hoje, Neide faz aulas de spinning e musculação. Quando faz sol, caminha e dá voltas de bicicleta.

À mesa, o controle é rígido. Apesar de sempre ter sido magra e sem propensão a ganhar peso, as cinco refeições balanceadas são sagradas. De três em três horas, ela para o que estiver fazendo para comer um lanche leve, como frutas e iogurte. Mesmo sem nunca ter ido ao nutricionista, Neide garante que sabe comer corretamente. “Fui uma vez a um endocrinologista amigo da família e ele me ajudou a fazer uma reprogramação alimentar”, detalha. A partir desse dia, Neide deu adeus aos happy hours, aos tira-gostos e às guloseimas engordativas do dia a dia. “Meu marido achou horrível na época, mas me adaptei.” À noite, o jantar se resume a um shake de vitaminas e minerais. Refrigerantes, nem pensar. Um vinhozinho ou até mesmo uma caipiroska, só de vez em quando.

Uma vez por ano, todo o esforço de Neide se traduz em exames exemplares. “Consulto com um geriatra de São Paulo que é o médico da família. Ele sempre me elogia”, orgulha-se. Continuar na ativa também faz diferença. “Trabalhar é fundamental. Não quero parar — o que eu vou ficar fazendo em casa? Assistindo televisão o dia inteiro?”, questiona. Para ajudar a manter a cabeça ativa, duas vezes por semana, Neide frequenta aulas de inglês. Aos fins de semana, sai com as amigas — desde que o programa seja de dia e com cardápio light. “Nada vem de graça. Claro que é gostoso sair para comer uma pizza, mas eu confesso que fujo, para não sair do controle.”

Mente sã, velhice sã

Cuidar apenas do corpo quando jovem não garante uma velhice saudável. Manter a mente ativa, buscar novos desafios e aprendizagens também faz parte da lista de atribuições. De acordo com a psicóloga e especialista em psicoterapia cognitiva, comportamental e psicopedagogia Roberta Paiva, um dos grandes fatores desencadeadores de doenças mentais é o estresse. Ela, que também trabalha na Oficina da Memória, voltada para a terceira idade, explica que um padrão de vida equilibrado e saudável pode servir como preventivo para doenças como depressão, demência e Alzheimer.
Antecipar-se às mudanças físicas e psicológicas inerentes ao tempo é imprescindível. “A não aceitação das limitações colabora para um processo depressivo”, reforça Roberta. A psicóloga diz que essa ajuda faz com que os idosos se reconheçam, ajustem-se à nova realidade e tenham a percepção de que vale a pena manter-se ativo.

Assim como o corpo precisa de movimento, a mente deve trabalhar para não pifar. Segundo Roberta Paiva, o declínio as funções mentais acontece, geralmente, por falta de atividade. “Semelhante ao que ocorre com os músculos, a atividade cerebral também deve ser exercitada com frequência, sempre procurando estimular os sentidos (olfato, paladar, tato, visão e audição) e a memória”, enumera.

Para Francisca Alves, 73 anos, o melhor remédio para deixar a mente “sarada” é não se aposentar. Ela trabalha no setor financeiro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) há 40 anos e não pensa em parar. “O trabalho me ajuda a ter saúde”, argumenta. Além disso, ela caminha diariamente, evita álcool e mantém uma alimentação saudável.

Nem sempre foi assim. Francisca ingressou muito cedo no mundo profissional — aos 15 —, mas negligenciava outros aspectos. Aos 16, começou a fumar. Parou só aos 45. Pouco depois, teve um susto: um exame apontou a possibilidade de um tumor no mediastino, cavidade localizada entre os dois pulmões. Não era câncer, mas o problema exige cuidados até hoje.

Ainda que tenha demorado para prestar atenção ao próprio bem-estar, ela hoje se considera saudável. Os exames médicos lhe dão razão. “Mesmo que não se tenha vida tão regrada, dá para mudar, mas acho que vai de pessoa para pessoa. Para mim, aconteceu. Foi muito difícil, porque fui uma garota muito sapeca, gostava muito de festa, fumava, bebia. Hoje, fico no suco de laranja.”
 
Atenção precoce

Cuidar da saúde não é fácil. É preciso prestar atenção em uma série de coisas, criar coragem para se movimentar, abrir mão de certas guloseimas e exercitar o intelecto. As vantagens, contudo, são indiscutíveis. Sidney Cunha, cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, frisa que o problema cardiológico que mais mata tem a ver com a obstrução das artérias: o pouco espaço para a passagem do sangue provoca infarto e derrame. O entupimento começa cedo e o pior, silenciosamente. “Na fase inicial, a pessoa não sente nada”, detalha o médico. “O processo de depósito de gordura nas artérias é longo. É preciso evitar o quanto antes.” Uma vida inteira de excesso de sal, doce, carboidratos e gordura saturada cobra seu preço em forma de colesterol e pressão altos, diabetes e diversas outras complicações que farão a terceira idade chegar de maneira limitante e complicada.

A solução, todo mundo sabe bem: focar em medidas preventivas. Se os problemas de saúde vêm como herança de família, então, nunca é cedo demais para começar a prestar atenção. “Cada caso é um caso, mas, em geral, 20 anos é uma boa idade para começar a fazer avaliações periódicas”, analisa Cunha. “É importante verificar sempre a pressão arterial e os níveis de colesterol e de glicose.” Se estiver tudo bem, os exames podem ser repetidos anualmente ou, até mesmo, em um intervalo de dois anos, dependendo do estilo de vida do indivíduo. “Na verdade, o melhor é começar ainda na infância, quando é mais fácil moldar o comportamento”, ensina Sidney Cunha. “É mais difícil convencer uma pessoa adulta de que comer verdura é bom. Se a criança for educada a evitar gordura, refrigerantes e afins, vai ter essa consciência quando adolescente e terá mais chances de manter um estilo de vida saudável.”

Sérgio Fernandes, médico geriatra do Laboratório Exame, reforça: é na vida intrauterina que começa nossa jornada rumo a um envelhecimento saudável. As decisões da mãe podem influenciar para sempre a vida do filho, causando problemas que impedirão um amadurecimento saudável. “Atualmente, existem vários estudos que mostram associações de problemas relacionados à saúde do bebê e hábitos da mãe”, completa.

“Tabagismo, desnutrição durante gravidez, falta do acompanhamento pré-natal e doenças como a rubéola podem causar alterações neurológicas, tétano neonatal e as chamadas doenças verticais, que são passadas da mãe para o filho.” Após o nascimento, proporcionar um ambiente familiar harmonioso, com a indução de hábitos saudáveis, é o segundo passo para a velhice sem doenças. “A construção da psiquê ocorre precocemente graças a hábitos, a coisas que a criança presencia em casa”, ensina Fernandes.

Com uma boa rede de suporte, muitos males da idade são evitados. Um exemplo, segundo Sérgio Fernandes, é a osteoporose. “O problema tem relação com o pico de massa óssea, determinado na infância e na adolescência”, detalha. “É esse pico que vai fazer o osso ser resistente.” Para que o corpo atinja esse pico, basta repetir a velha receita de alimentação saudável e exercícios físicos. Investir em medicina preventiva também é uma boa alternativa. “Hoje em dia, não precisamos esperar complicações mais sérias para buscar tratamento”, justifica. “Sabemos quanto tempo leva para a doença se estabelecer até o paciente precisar de remédios ou não. Algumas pessoas conseguem controlar o colesterol, por exemplo, só com alimentação e exercícios. Essas que não conseguem, se beneficiam dos medicamentos antes de sentirem mal.”

Regina Maura, 70 anos, é um exemplo vivo do que alimentação saudável e exercícios físicos podem fazer por alguém na terceira idade. Desde os sete anos, o balé faz parte da sua rotina. Aos 15, a dançarina entrou para a Escola de Dança do Teatro Municipal. Regina ficou 15 anos no corpo de baile da instituição e conta que nunca se machucou. “Sempre tive muita facilidade (para dançar) e uma saúde muito boa”, completa. “E sempre comi de tudo. Sou neta de italianos por parte de pai e de espanhóis por parte de mãe. As comidas italiana e espanhola são saudáveis, meu pai sempre fez questão que a gente se alimentasse bem e sem exageros.”

Ainda que as apresentações de dança tenham ficado no passado, Regina continua ativa até hoje, ensinando novas aspirantes à bailarina. A professora transmite os passos de dança em duas classes por dia, uma pela manhã e outra à tarde. Quando uma apresentação se aproxima, há ainda uma terceira aula no período noturno. Isso sem contar a caminhada diária na esteira de casa. Ironicamente, Regina só se machucou depois de parar de dançar profissionalmente. “Fui convidada a dar aula por seis meses em um espaço inapropriado para o balé”, conta. “Isso foi deteriorando meu tendão de aquiles, que nunca havia doído. No dia que voltei para a minha academia, no primeiro saltinho, ele arrebentou.”

Fora esse episódio e um tombo que a fez torcer o pé e lesionar o menisco (cartilagem do joelho), Regina gaba-se de uma saúde exemplar. Aos 70 anos, ela não precisa de remédios para nenhuma das doenças que costumam aparecer nessa faixa etária, como diabetes e hipertensão. “Tirei a pressão esses dias, deu 11 por 6. Considero-me uma velhinha muito saudável”, orgulha-se. O segredo, na verdade, não é mistério nenhum: graças ao costume de se exercitar sempre, ela hoje conta com disposição para continuar fazendo o que ama. “Alimentação, exercício e felicidade — é isso que importa. Tenho uma família ótima, um marido que me apoia em tudo o que faço. Não adianta se alimentar bem mas ser infeliz, porque o corpo parece que não assimila tudo que você está fazendo.”

Alimentação caprichada

Cuidar da saúde, para Jandira Maia, é sinônimo de se manter ativa. Aos 72 anos, ela trabalha como administradora no salão de beleza do filho. “Não vou dizer que não sinto nada. Claro que sentimos algumas coisinhas, mas considero minha saúde boa para a minha idade”, analisa. Uma vez por ano, ela visita o mastologista, ginecologista e o cardiologista para refazer os exames. A infância e a adolescência, passadas em uma casa com um terreno grande o suficiente para um pomar e uma horta, fizeram com que ela se acostumasse ao sabor das frutas, dos legumes e das verduras. “Era um período em que a gente não comia nada com conservante, não existia isso nas coisas.”

Refrigerante e os alimentos vilões da saúde, como doces e frituras, também não existiam na casa. Tudo isso a ajudou a controlar o que come atualmente. “Estou um pouco acima do peso, mas nenhum problema de saúde, tirando um problema de coluna”, reconhece. “Sinto dor, mas não consigo ficar parada.” Na juventude, Jandira até chegou a experimentar tabaco, mas parou logo. Bebida alcoólica também nunca foi muito do feitio dela. Em vez da taça diária de vinho, recomendada para manter a saúde do coração, ela prefere suco de uva: toma um copo todos os dias.

No mais, Jandira gosta mesmo é de se virar. Depois dos filhos crescidos, ela agora mora sozinha. “Gosto de ficar um pouco sozinha, ler, ver televisão. Faço tudo sozinha, não sou de perturbar filho”, diz. Se precisa se deslocar, Jandira prefere ir de táxi a pedir carona, já que não pode dirigir por conta de uma cirurgia nas mãos. Nem as reclamações da filha mais velha, que acha o tom independente da mãe uma forma de orgulho, a faz mudar de ideia. “Não é orgulho, mas a gente se acostuma a fazer as coisas. Acho estranho depender dos outros”, defende-se. Quando as limitações da idade avançada chegarem de vez, ela já sabe o que quer: ir para uma casa de repouso. “Acho errado que uma pessoa pare de viver para cuidar de uma pessoa idosa.”

Chegar à terceira idade com saúde é um desafio. Veja algumas dicas para amadurecer da melhor maneira possível:
  • Mantenha boas relações sociais: vale ir à igreja, a festas, dançar, sair com os amigos etc.
  • Tenha uma vida afetiva e familiar com diálogo e carinho.
  • Assim como o corpo necessita de movimentos, o cérebro também requer atividade. Por isso, pratique exercícios físicos e mentais, como jogos de mesa e caminhadas.
  • Trabalhar ajuda a manter a mente ativa. Trabalhos sociais também contam como atividade mental.
  • Se a opção for pela aposentadoria, o idoso deve manter a vida física e psicológica em atividade, ou seja, buscando situações que proporcionem satisfação e prazer. Viajar, fazer aulas de dança, cantar, ajudar em trabalhos sociais são alguns exemplos.

Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/07/27/noticia_saudeplena,144092/envelhecer-bem-e-resultado-de-uma-vida-inteira-regrada.shtml

 

Estudo decifra o processo de envelhecimento

 

A descoberta pode levar a novos tratamentos para doenças envolvendo a velhice.

Um estudo realizado por cientistas de Albert Einstein College of Medicine em Nova York, nos Estados Unidos, aponta que a atividade de uma molécula no hipotálamo (uma região do cérebro) é responsável por sinalizar o começo do envelhecimento. A pesquisa foi publicada na quarta-feira, 01, na revista especializada Nature. A descoberta pode levar a novos tratamentos para doenças envolvendo a velhice.

A equipe do fisiólogo Dongsheng Cai monitorou, no cérebro de ratos, a atividade da NF-kB, uma molécula que controla a transcrição de DNA e é relacionada a inflamações e à reação do corpo a situações de estresse. Eles descobriram que a molécula se torna mais ativa no hipotálamo conforme o rato fica mais velho.
Quando era injetada nos animais uma substância que inibe a ação da NF-kB, os ratos viviam mais, tinham mais sucesso em testes de cognição e movimento e mostraram menor declínio em força muscular, espessura de pele e massa óssea. Já os ratos que receberam a substância que estimulava a atividade da molécula morriam mais cedo.

“Nós oferecemos evidências científicas para o conceito de que o envelhecimento sistêmico é influenciado por um tecido particular no corpo”, disse Cai.

Manipulando o hipotálamo, ele conseguiu aumentar a longevidade dos ratos em 20%. E admitiu que o mesmo tratamento pode funcionar em humanos.
 
Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/05/02/noticia_saudeplena,143234/estudo-decifra-o-processo-de-envelhecimento.shtml
 

Suíça avança para desvendar mistério do envelhecimento

O objetivo da pesquisa foi descobrir porque alguns indivíduos da mesma espécie conseguem ter uma vida mais longa do que outros.

GENEBRA - Cientistas suíços anunciaram nesta quarta-feira ter dado um passo adiante para revelar o mistério do envelhecimento, após descobrir o impacto de um gene ligado à longevidade em camundongos e, depois, conseguir estender em 60% a vida de vermes graças a um tratamento básico com antibióticos.

"Eles não só estão vivendo mais, mas também estão mais saudáveis", afirmou Johan Auwerx em um vídeo divulgado pela Escola Politécnica de Lausanne (EPFL), um instituto de pesquisas de ponta suíço.

As descobertas da equipe de Auwerx foram publicadas na revista científica britânica Nature.

O objetivo da pesquisa foi descobrir porque alguns indivíduos da mesma espécie conseguem ter uma vida mais longa do que outros.

"Por algum tempo, nosso laboratório vem usando uma população de referência de camundongos com genética complexa, que imita a população humana, para estudar o envelhecimento", explicou Auwerx.

Os cientistas começaram examinando a mitocôndria dos roedores - uma usina de energia em escala celular - e descobriram três genes que afetam a expectativa de vida dos animais através da velocidade com que funcionam.
Aqueles que tiveram seus genes 50% mais lentos viveram 250 dias mais ou cerca de 30% do que a expectativa de vida dos camundongos.

"Com base nesta observação, nós trocamos o modelo e começamos a validá-lo em um verme", disse Auwerx.

"Derrubando as mesmas proteínas, pudemos ver um aumento de até 60% na duração da vida do verme", acrescentou.

Auwerx ressaltou que quando a mitocôndria é composta de bactérias que vivem dentro das células, sua equipe fez o experimento com antibióticos, que visam as bactérias.

"Pudemos ver que tratar os vermes com antibióticos também imitou os efeitos genéticos e que eles também viveram 60% mais", passando de 19 dias para 30, explicou.

A mitocôndria transforma nutrientes em vários tipos de proteínas e alguns estudos anteriores sugeriram que ela pode ser o motor do envelhecimento.

A equipe científica suíça, trabalhando com colegas da Holanda e dos Estados Unidos, conseguiu identificar o gene específico envolvido no processo e descobriu como as variações na proteína poderia afetar a expectativa de vida.

Eles descobriram que as chamadas MRPs - proteínas ribossomais mitocondriais - tiveram um impacto inversamente proporcional na longevidade.

Além disso, viram que a falta de MRPs em momentos chave dos estágios iniciais do desenvolvimento do indivíduo causou estresse na mitocôndria.

Isso teve impactos negativos de curto prazo, como redução da fertilidade, mas a longo prazo pareceu resultar em melhor estrutura muscular, assim como em uma vida mais longa.

Os cientistas reforçaram que estudos mais aprofundados são necessários para confirmar se os antibióticos podem ser usados para controlar o envelhecimento em mamíferos.
 
Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/05/23/noticia_saudeplena,143475/suica-avanca-para-desvendar-misterio-do-envelhecimento.shtml
 

Processo de envelhecimento pode ser desvendado ainda no útero

Estudo sugere que será possível definir efeitos do tempo em uma pessoa antes de ela nascer. Resposta virá da análise dos metabólitos, estruturas decorrentes do metabolismo das células.

Adolescentes podem ter o organismo de sessentões, e há senhores que driblam facilmente o envelhecimento, dando um banho de saúde em muitos jovens. Uma lista extensa de perguntas sobre o histórico alimentar, comportamental, familiar, psicológico e emocional promete chegar perto da idade biológica de uma pessoa. Mais simples seria um rápido exame de sangue. Como aqueles testes que medem a glicose ou os níveis de colesterol, bastaria uma espetadinha num dedo para saber a quantas anda a saúde dos órgãos vitais. Essa é a proposta de pesquisadores britânicos. Eles descobriram que há uma substância reguladora do envelhecimento humano no sangue que pode ser medida antes mesmo de a pessoa nascer, durante sua gestação.

A equipe liderada por Cristina Menni, do Departamento de Pesquisa em Gêmeos e Epidemiologia Genética da King’s College de Londres, identificou um painel de 22 metabólitos que, combinados, estão fortemente associados ao envelhecimento e aos traços clínicos relacionados à idade. Um deles, o C-glicosil triptofano, foi apontado como o principal indicador, pois estaria envolvido em conhecidas determinantes do envelhecimento saudável, como a densidade óssea do esqueleto, o colesterol, a pressão sanguínea, a função pulmonar e o peso ao nascer.

Um metabólito é o produto do metabolismo de moléculas, células ou substâncias, sendo capaz de atuar como uma “impressão digital” química, que deixa pistas sobre as alterações moleculares do organismo. Essas modificações ocorrem durante o ciclo de vida e são motivadas também por fatores ambientais e comportamentais, como o tabagismo, a exposição à poluição e a obesidade. A recente metabolômica, relacionada ao estudo dos metabólitos, poderia descobrir o elo molecular entre a interferência do meio ambiente e as alterações genéticas provocadas por elas.

Para chegar a essa descoberta, relatada na edição deste mês do International Journal of Epidemiology, o grupo de pesquisadores analisou amostras de sangue de 3 mil pares de gêmeos, sendo metade deles idênticos. Os voluntários tinham entre 17 e 85 anos, e foram acompanhados, durante décadas, no grupo de estudos de gêmeos da King’s College. Os cientistas usaram uma técnica de perfilamento metabolômico, na qual foram analisados 280 metabólitos sanguíneos. Os 22 produtos do metabolismo identificados puderam ser diretamente relacionados à idade cronológica dos participantes, sendo que as concentrações desses metabólitos foram maiores em pessoas mais velhas.
 
Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/07/18/noticia_saudeplena,144043/processo-de-envelhecimento-pode-ser-desvendado-ainda-no-utero.shtml
 
 

Pesquisa da USP afirma que idosos vivem por mais tempo, mas doentes

Apesar de a expectativa de vida da população brasileira ter aumentado, a qualidade de vida dos idosos piorou.

A expectativa de vida da população brasileira cresceu nos últimos anos, mas os idosos estão vivendo com menor qualidade de vida, pois convivem por mais tempo com doenças crônicas típicas de sua faixa etária. Isso é o que apontou uma pesquisa conduzida pelo médico geriatra Alessandro Gonçalves Campolina, que faz parte de um estudo, chamado Sabe (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), que vem sendo desenvolvido na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

Campolina é autor da pesquisa que buscou avaliar a ocorrência de um processo chamado de compressão da morbidade, ou seja, se o intervalo entre o aparecimento da doença e a morte estava diminuindo e se o aparecimento da doença estava sendo postergado para os últimos anos de vida. Para ele, a pesquisa demonstrou que, no caso específico de São Paulo (Campolina acredita que esses números se assemelham aos do restante do país, embora nenhum estudo semelhante tenha ocorrido em outros lugares do Brasil), está ocorrendo um fenômeno oposto: a expansão da morbidade o que, segundo ele, é um aspecto negativo, pois a população passa mais tempo doente.
 
Em 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer no Brasil era 74 anos e 29 dias, o que representou um incremento de três anos, sete meses e 24 dias sobre o indicador de 2000.
 
Estudo avaliou a compressão da morbidade, ou seja, se o intervalo entre o aparecimento da doença e a morte estava diminuindo e se o aparecimento da doença estava sendo postergado para os últimos anos de vida.
 
Praticamente no mesmo período, entre 2000 e 2010, a pesquisa desenvolvida por Campolina detectou que os idosos estão vivendo com menor qualidade de vida, pois convivem por mais tempo com doenças crônicas típicas de sua faixa etária.

“Esse projeto é parte de um estudo maior, que é o Sabe, que vem acontecendo na faculdade desde 2000. É um estudo populacional que tem uma amostragem das diversas regiões representativas de São Paulo e que vem seguindo essa população de idosos, com mais de 60 anos, desde 2000, fazendo avaliações periódicas e incluindo novas populações de idosos para fazer comparação entre gerações. Em 2000 foram acompanhados 2.143 idosos, que passaram a ser seguidos pelo projeto, em domicílio. Já em 2010 foi feita uma nova comparação”, explicou.

Segundo Campolina, a pesquisa avaliou o impacto das doenças crônicas que acometem a população idosa em termos de expectativa e de qualidade de vida. “Se as pessoas continuassem vivendo no estado em que elas estão agora, com as doenças crônicas, as doenças seriam mais frequentes e haveria mais comprometimento da qualidade de vida”, disse. Quando se fala de doenças crônicas relacionadas à população idosa, explicou Campolina, a pesquisa refere-se principalmente à hipertensão arterial, diabetes, às doenças cardíacas, à doença pulmonar crônica, às doenças mentais, como depressão e demências, às doenças articulares, como artrite e artrose, e às quedas.

Mas a pesquisa, de acordo com Campolina, também demonstrou que, caso fossem desenvolvidas políticas públicas preventivas voltadas para a população idosa, a situação poderia ser alterada. “O estudo fez a análise de outros cenários possíveis, ou seja, se essas doenças fossem prevenidas. Isso mostrou que este processo estaria sendo revertido. Aí a população ganharia mais anos de vida e mais anos de vida saudáveis”, falou em entrevista à Agência Brasil.

“Se houvesse estratégias que evitassem que as pessoas desenvolvessem a doença cardíaca, por exemplo, praticando atividades físicas e tendo uma nutrição adequada, você teria mais anos de expectativa de vida saudável. E se as pessoas já têm a doença instalada e mesmo assim fizessem esforço para tratamento adequado e controle dessa doença, também haveria um impacto positivo na expectativa de vida saudável”.

Para Campolina, as políticas públicas de prevenção voltadas para os idosos ainda “são insuficientes” no país. “A grande questão do estudo são as políticas de prevenção e de controle das doenças crônicas. Uma questão que acho muito importante é que nessa população específica de idosos, muitos acreditam que não vale mais a pena fazer a prevenção. Há o preconceito de que as doenças já estão instaladas, que as pessoas já estão no fim da vida, mas o estudo mostra exatamente o contrário, inclusive nas pessoas de idade mais avançada. Se as doenças fossem prevenidas e houvessem políticas de atividade física, nutrição, combate ao tabagismo e controle dessas doenças com tratamento adequado, provavelmente essa população viveria melhor, mesmo os mais idosos”, disse.
 
Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/05/27/noticia_saudeplena,143516/pesquisa-da-usp-afirma-que-idosos-vivem-por-mais-tempo-mas-doentes.shtml

Suécia é o melhor país para se envelhecer; Brasil ocupa 31ª posição

O Brasil tem a melhor posição entre os países emergentes do bloco BRICS (que também reúne Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas está atrás de outros latino-americanos, como o Chile, 19º, e o Uruguai, em 23º.

 A Suécia é o melhor país para se envelhecer e o Afeganistão, o pior, revelou um estudo endossado pela ONU e publicado nesta terça-feira, que posiciona o Brasil em 31º lugar.

O Brasil tem a melhor posição entre os países emergentes do bloco BRICS (que também reúne Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas está atrás de outros latino-americanos, como o Chile, 19º, e o Uruguai, em 23º.

Com base neste estudo, as Nações Unidas advertiram que muitos países estão despreparados para lidar com uma população cada vez mais idosa.

Em um mundo que envelhece rapidamente, o Global AgeWatch Index (Índice Global de Vigilância Etária, em tradução livre) - o primeiro do tipo - revelou que a Suécia, conhecida por seu generoso Estado de bem-estar social, seguida de Noruega e Alemanha, são os mais bem preparados para lidar com os desafios de uma população em processo de envelhecimento.

A forma como os países cuidam de seus cidadãos idosos se tornará um tema cada vez mais importante, uma vez que o número de pessoas com mais de 60 deve aumentar dos atuais 809 milhões para mais de 2 bilhões em 2050 - quando elas serão mais de um em cada cinco pessoas do planeta, destacou o informe.

"O século XXI está registrando uma transição demográfica global sem precedentes, com a população envelhecendo em seu cerne", destacaram os autores do estudo.

A pesquisa estabeleceu um ranking com muitos países africanos e do sul da Ásia como os piores países para se aposentar, com Tanzânia, Paquistão e Afeganistão nas três piores posições.

O índice foi compilado pelo grupo de defesa HelpAge International e pelo Fundo de População da ONU numa tentativa de fornecer dados essenciais sobre as populações em processo de envelhecimento ao redor do mundo.

Brasil é o melhor entre os BRICS
Ele classificou o bem-estar social e econômico dos idosos em 91 países, comparando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras agências globais sobre renda, saúde, educação, emprego e entorno dos idosos.

Enquanto os países mais ricos do planeta - incluindo as nações da Europa ocidental, os Estados Unidos e o Japão - foram posicionados nas mais elevadas posições, como se previa, o relatório de forma algo surpreendente descobriu que um número de países de baixa renda implantou políticas que melhoraram significativamente a qualidade de vida de seus idosos.

A Bolívia, que oferece assistência de saúde gratuita para seus cidadãos mais velhos, apesar de ser um dos países mais pobres entre os pesquisados, e o Sri Lanka, com seus investimentos de longo prazo em saúde e educação, estão entre os destaques positivos.

A diretora-executiva do HelpAge, Silvia Stefanoni, disse que a falta de urgência no debate sobre o bem-estar dos mais velhos "é um dos maiores obstáculos para responder as necessidades da população mundial em envelhecimento".

"Ao nos dar uma compreensão melhor da qualidade de vida de homens e mulheres à medida que envelhecem, este novo índice pode nos ajudar a focar nossa atenção em onde as coisas estão saindo bem e onde precisamos fazer melhorias", afirmou em um comunicado.

O estudo também destacou que alguns países do topo do ranking introduziram políticas bem sucedidas para cuidar dos idosos em um momento em que ainda eram economias emergentes.

A Suécia, por exemplo, implantou seu sistema universal de pensões um século atrás, enquanto a Noruega introduziu seu sistema em 1937, acrescentou.

"Os recursos limitados não precisam ser uma barreira para que os países atendam seus cidadãos mais velhos", destacou o informe.

O Brasil ficou situado na 31ª posição, a melhor entre os emergentes do bloco, que também reúne a China (35ª colocada), a África do Sul (65ª), a Índia (73ª) e a Rússia (78ª).

No lado positivo, a pesquisa revelou que alguns países e regiões que estavam envelhecendo mais rápido já estavam se preparando para a mudança demográfica.

Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/10/02/noticia_saudeplena,145764/suecia-e-o-melhor-pais-para-se-envelhecer-brasil-ocupa-31-posicao.shtml

 

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