COMPREENDENDO MELHOR O ALZHEIMER : PESQUISAS E PREVENÇÃO

Exame de sangue pode prever doença três anos antes do seu surgimento, afirmam os pesquisadores (Foto: PA)

Pacientes com Alzheimer podem sentir emoções mesmo com doença

Estudo diz que pacientes lembram do impacto de sentimentos registrados.
Análise foi feita com 34 pessoas, 17 com a doença e 17 saudáveis.

Os pacientes com Alzheimer podem sentir emoções mesmo quando se esquecem do motivo que as causou, de acordo com um estudo publicado na última semana na revista científica "Cognitive and Behavioral Neurology".
A investigação, assinada por Edmarie Guzmán-Vélez, afirma que, apesar de os pacientes não conseguirem se lembrar de uma visita recente de um familiar próximo ou que não receberam os cuidados devidos, essas ações podem ter um impacto em seus sentimentos.
Edmarie destaca a importância de familiares e cuidadores aprenderem a se comunicar com o paciente com Alzheimer para fazer com que sintam emoções positivas. "Talvez o paciente não se lembre do motivo que o levou a comer seu prato favorito, mas esse momento de felicidade, esse sentimento positivo vai continuar em sua mente", garantiu a cientista, doutoranda em psicologia clínica na Universidade de Iowa.
"Por outro lado, se acontece alguma coisa que o faça se sentir triste, esse sentimento vai a permanecer durante um tempo, o que significa que é extremamente importante que nos dediquemos a tentar induzir emoções positivas e minimizar o máximo possível as emoções negativas", acrescentou.

Testes

A equipe de pesquisadores da Universidade de Iowa mostrou para 17 pessoas sem a doença e a 17 com Alzheimer fragmentos de filmes tristes e alegres, que resultaram em emoções como risos e lágrimas. Cerca de cinco minutos depois, os pesquisadores entregaram aos participantes um teste de memória para ver se conseguiam se lembrar do que tinham visto.
Como era de se esperar, os pacientes com Alzheimer guardaram significativamente menos informação sobre os filmes. De fato, quatro deles foram incapazes de se lembrar de qualquer informação sobre as películas e um sequer se recordou que tinha visto um filme.
No entanto, os pacientes mantiveram o sentimento de alegria ou tristeza por um período de até 30 minutos depois da exibição. "Isso confirma que a vida emocional de um paciente com Alzheimer está viva", afirmou a investigadora, que destacou as implicações diretas de sua descoberta no ensino dos cuidadores a melhorar o tratamento.
Para Edmarie, as visitas frequentes, as interações sociais, o exercício físico, a música, a dança e as brincadeiras "são coisas simples que podem ter um impacto emocional durável na qualidade de vida de um paciente e no seu bem-estar subjetivo".
Estima-se que o Alzheimer afetará 16 milhões de pessoas em 2050 nos Estados Unidos, sem que tenha sido descoberto, até o momento, um medicamento para prevenir ou influenciar o desenvolvimento progressivo dessa doença neurodegenerativa.

'Exame de sangue é capaz de prever Alzheimer em pessoas saudáveis'

Cientistas americanos dizem que teste pode indicar, três anos antes, que doença vai se desenvolver.

Exame de sangue pode prever doença três anos antes do seu surgimento, afirmam os pesquisadores (Foto: PA)Exame de sangue pode prever doença três anos antes do seu surgimento, afirmam os pesquisadores (Foto: PA)

Um exame de sangue pode prever com precisão o aparecimento da doença de Alzheimer, de acordo com pesquisadores americanos.
Eles mostraram que testes de nível de 10 gorduras no sangue permitiria detectar - com 90% de precisão - o risco de uma pessoa desenvolver a doença nos próximos três anos.
Os resultados, publicados na revista Nature Medicine, agora passarão por testes clínicos maiores.
Especialistas dizem que os resultados ainda precisam ser confirmados, mas que tal exame seria 'um verdadeiro passo em frente.'

Há 44 milhões de pessoas vivendo com demência em todo o mundo, número que deve triplicar até 2050.
A doença ataca o cérebro 'silenciosamente' por mais de uma década antes que os sintomas surjam. Os médicos acreditam que tratamentos com remédios estão falhando porque os pacientes estão sendo submetidos a eles tarde demais.
É por isso que a descoberta de um teste que prevê o risco de demência é uma das principais prioridades para o campo.

Pistas no sangue

Cientistas da Universidade de Georgetown, em Washington D.C., analisaram amostras de sangue de 525 pessoas com idade superior a 70 anos, como parte de um estudo de cinco anos.
Eles compararam os exames de 53 deles que desenvolveram Alzheimer, ou algum comprometimento cognitivo leve, com os de 53 que permaneceram mentalmente ágeis. Os pesquisadores encontraram diferenças nos níveis de lipídos, ou 10 gorduras, entre os dois grupos.
E quando a equipe olhou as outras amostras de sangue, esses 10 marcadores de Alzheimer permitiam prever em quem era provável que o declínio mental surgisse nos anos seguintes.
Howard Federoff, professor de neurologia na Universidade de Georgetown, disse à BBC: 'Há enorme necessidade de um exame como este. Mas temos de testar com um maior número de pessoas antes que possa ser utilizado na prática clínica.'
Agora os pesquisadores estão investigando se o exame funciona para prever a doença com ainda mais antecedência do que três anos. Não está claro exatamente o que está causando as mudanças de gorduras no sangue, mas poderia ser um resíduo das primeiras mudanças no cérebro.

Desafios éticos

Um teste bem sucedido para a doença de Alzheimer pode transformar a pesquisa médica e permitir testar tratamentos com medicamentos em um estágio muito anterior da doença.
Segundo Federoff, abrandar o ritmo da doença pode ter um enorme impacto: 'Mesmo um pequeno atraso de sintomas já terá um benefício econômico tremendo só em termos do custo do atendimento.'
Simon Ridley, médico de uma ONG que pesquisa a doença no Reino Unido, disse que os resultados foram encorajadores.
'Para testar a eficácia de potenciais novos medicamentos, é importante ser capaz de recrutar pessoas para ensaios clínicos nas fases iniciais da doença, quando esses tratamentos são potencialmente mais eficazes'.
Doug Brown, médico da Alzheimer's Society's, outra instituição britânica especializada no tema, disse que o teste poderia representar desafios éticos.
'Se isso se desenvolver no futuro, deve ser dada às pessoas a possibilidade de escolha sobre se gostariam de saber, compreendendo plenamente as implicações'.

Quem estuda tem mais chance de não ter Alzheimer, diz pesquisa

Cientistas analisaram no microscópio os sinais de Alzheimer nos pacientes.
Escolarizados não apresentaram sintomas da doença.

Pesquisadores brasileiros fizeram uma descoberta impressionante. Eles concluíram que quem estuda tem muito mais chance de não apresentar os sintomas de Alzheimer mesmo tendo as lesões no cérebro que caracterizam a doença.
Cantando as músicas do folclore japonês, Michiko se reconecta com a infância no Japão. Ela tem 91 anos, descobriu o Alzheimer há dez e passou a frequentar um centro de convivência mantido por uma ONG para idosos. “Eu acho que isso faz diferença. O convívio com outras pessoas, atividades durante o dia. Acho que isso é fundamental”, diz o professor universitário Alberto Horita.
Um dos principais sintomas do Alzheimer é a perda progressiva de memória causada por acúmulo de proteínas em partes do cérebro. A doença atinge mais os idosos e não tem cura. Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo comprovou que existe um meio mais eficaz do que qualquer remédio para prevenir a doença. Eles analisaram amostras de cérebros de três mil pessoas que morreram na Grande São Paulo na última década e chegaram a uma conclusão importante: quem estuda mais tem menos chances de desenvolver sintomas de doenças como o Alzheimer.
Os cientistas analisaram no microscópio os sinais de Alzheimer nesses pacientes e confrontaram os dados com informações sobre a vida de 675 deles. Chegaram a um resultado impressionante: entre os mais escolarizados com lesões características do Alzheimer, 30% não apresentavam, em vida, sintomas da doença.
O coordenador da pesquisa José Marcelo Farfel diz que estudar cria uma espécie de “reserva de lucidez”, usada para compensar as perdas de neurônios que se acentuam com a idade. “A escolaridade atua em diversas regiões do cérebro. Atua sobre a memória, sobre a linguagem, sobre a capacidade de cálculo. O indivíduo tem aquela agressão, mas ele consegue de alguma maneira contornar a agressão, usar alguma via alternativa e não desenvolver nenhum sintoma”, explica.
A aposentada Íria Veloso do Valle se previne. Ela frequenta uma universidade da terceira idade e compara o cérebro a uma estrada de terra. “Se ela não for trilhada, usada todo dia, cria mato e desaparece. Sabe aquele filme do robozinho que fica dado, dado? O meu cérebro é assim, ele quer dados, quer novidade.”


Foto de escaneamento de cérebro de paciente com Alzheimer (Foto: SPL/BBC)
Foto de escaneamento de cérebro de paciente com
Alzheimer (Foto: SPL/BBC)

Cientistas detectam mal de Alzheimer antes dos sintomas aparecerem

Alteração no cérebro leva a diagnóstico 25 anos antes da idade prevista para o desenvolvimento da doença.


Cientistas da Espanha conseguiram pela primeira vez reverter a perda de memória em ratos com Alzheimer usando terapia genética. Os dados foram publicados na revista americana "The Journal of Neuroscience".
Pesquisadores do Instituto de Neurociência da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), "descobriram um mecanismo celular envolvido na consolidação da memória e conseguiram desenvolver uma terapia genética que reverte a perda de memória em etapas iniciais em ratos modelos com mal de Alzheimer", explicou a UAB em um comunicado esta semana.
A terapia consiste em injetar no hipocampo, região do cérebro que desempenha um papel importante na memória, um gene que provoca a produção de uma proteína bloqueada nos pacientes afetados pela doença.
A proteína "Crtc1" (CREB regulated transcription coactivor-1) permite ativar os genes envolvidos na formação de memória de longo prazo. Nas pessoas doentes, "a formação de agregados de placas amiloides, um processo conhecido que desencadeia o Alzheimer, impede que a proteína Crtc1 atue normalmente", segundo a UAB.
"Quando se altera a proteína Crtc1, não é possível ativar os genes responsáveis pela sinapse ou por conexões entre neurônios no hipocampo e o indivíduo não consegue realizar corretamente tarefas de memória", explicou o doutor Carlos Saura, responsável pelo estudo, citado no comunicado.
Segundo ele, "este estudo abre novas perspectivas para a prevenção e o tratamento terapêutico do mal de Alzheimer". Um dos desafios principais, segundo o estudo, será agora desenvolver terapias farmacológicas que permitam ativar esta proteína. Também será preciso assegurar-se de que é possível aplicar o tratamento em humanos.
O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência entre idosos: com 40 milhões de afetados em todo o mundo, representa um desafio em escala mundial para os sistemas de saúde e para a ciência, que ainda não encontrou nenhum remédio para a doença.

Cientistas revertem perda de memória em ratos com Alzheimer

Terapia consiste em injetar no hipocampo gene que produz proteína.
Estudo abre novas perspectivas para a prevenção e tratamento terapêutico.

Cientistas da Espanha conseguiram pela primeira vez reverter a perda de memória em ratos com Alzheimer usando terapia genética. Os dados foram publicados na revista americana "The Journal of Neuroscience".
Pesquisadores do Instituto de Neurociência da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), "descobriram um mecanismo celular envolvido na consolidação da memória e conseguiram desenvolver uma terapia genética que reverte a perda de memória em etapas iniciais em ratos modelos com mal de Alzheimer", explicou a UAB em um comunicado esta semana.
A terapia consiste em injetar no hipocampo, região do cérebro que desempenha um papel importante na memória, um gene que provoca a produção de uma proteína bloqueada nos pacientes afetados pela doença.
A proteína "Crtc1" (CREB regulated transcription coactivor-1) permite ativar os genes envolvidos na formação de memória de longo prazo. Nas pessoas doentes, "a formação de agregados de placas amiloides, um processo conhecido que desencadeia o Alzheimer, impede que a proteína Crtc1 atue normalmente", segundo a UAB.
"Quando se altera a proteína Crtc1, não é possível ativar os genes responsáveis pela sinapse ou por conexões entre neurônios no hipocampo e o indivíduo não consegue realizar corretamente tarefas de memória", explicou o doutor Carlos Saura, responsável pelo estudo, citado no comunicado.
Segundo ele, "este estudo abre novas perspectivas para a prevenção e o tratamento terapêutico do mal de Alzheimer". Um dos desafios principais, segundo o estudo, será agora desenvolver terapias farmacológicas que permitam ativar esta proteína. Também será preciso assegurar-se de que é possível aplicar o tratamento em humanos.
O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência entre idosos: com 40 milhões de afetados em todo o mundo, representa um desafio em escala mundial para os sistemas de saúde e para a ciência, que ainda não encontrou nenhum remédio para a doença.

Estudo brasileiro liga toxina presente em Alzheimer a depressão

Cérebro com Alzheimer tem a substância que causa sintoma de depressão.
Estudo realizado por brasileiros da UFRJ foi publicado em revista científica.

Estudo realizado por pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta pela primeira vez que uma toxina presente no cérebro de pessoas que sofrem de doença de Alzheimer pode provocar também sintomas da depressão.

A pesquisa, publicada nesta terça-feira (27) na revista científica “Molecular Psychiatry”, mostra ainda que camundongos que receberam a toxina, chamada de oligômeros de Abeta, para simular sintomas de uma pessoa com Alzheimer e depressão, e que foram tratados com o medicamento antidepressivo fluoxetina apresentaram melhoras na perda de memória e nas alterações de humor.
O cérebro de pessoas com Alzheimer sofre acúmulo desta toxina, que ataca as sinapses, meio pelo qual acontece a comunicação entre um neurônio e outro.
O “ataque” ocasionado pelas toxinas deixa os neurônios desconectados e causa falhas de memória. “Já sabíamos que os oligômeros causavam essa falha de cognição. O que descobrimos é que, além disso, causam depressão”, explica Sérgio Ferreira, professor titular do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ e autor responsável pelo estudo.
Imagem divulgada pelos pesquisadores brasileiros mostra momento do teste de memória realizado com camundongo (Foto: Divulgação/José Henrique da Cunha/UFRJ)Imagem divulgada pelos pesquisadores brasileiros mostra momento do teste de memória realizado com camundongo (Foto: Divulgação/José Henrique da Cunha/UFRJ)

Segundo ele, testes foram feitos há dois anos com cem camundongos, avaliados em dois períodos distintos: durante as primeiras 24 horas após a aplicação da toxina e oito dias depois da injeção dos oligômeros.
Os resultados mostraram que as cobaias apresentaram perda de memória e alterações compatíveis com comportamento depressivo. A conclusão foi obtida após a aplicação de testes que são utilizados comumente para diagnosticar casos de depressão em roedores, como o nado forçado, suspensão do camundongo pela cauda e preferência pelo açúcar.
Nos dois primeiros tipos de testes, o roedor saudável luta para sobreviver (seja para sair do ambiente com água ou tentar reverter sua posição ao ficar pendurado), enquanto o camundongo depressivo apresenta poucas reações. Já no terceiro teste, o roedor saudável busca a água com sacarose (açúcar), indicando que busca algo que lhe dê mais prazer. O camundongo doente não expressa reação quanto à água açucarada.
Em busca de tratamento
“A partir disto, começamos a pensar em uma forma de tratar os sintomas. Pensamos em utilizar antidepressivos, até que testamos a fluoxetina, utilizada atualmente no tratamento contra a depressão. Sabíamos que o medicamento causaria reação positiva quanto às alterações de humor, mas a nossa surpresa é que o remédio melhorou também a memória dos animais”, explicou.
De acordo com Ferreira, isso abre uma perspectiva de que a fluoxetina pode ser utilizada no tratamento de Alzheimer. “Não podemos dizer que é a cura, mas pode ser um tratamento. É a primeira descoberta na área, mas agora temos que fazer muitos estudos com animais, para chegarmos à conclusão de que esse tratamento pode funcionar com humanos”, disse.
De acordo com o pesquisador, no Brasil, 1 em cada 150 pessoas tem esta doença, que começa a se desenvolver com o avanço da idade. Estimativa dos especialistas da UFRJ é que entre 800 mil e 1,2 milhão de pessoas do país foram acometidas.
Geralmente, o Alzheimer pode apresentar sintomas a partir dos 65 anos. Idosos com idade a partir de 75 anos fazem parte do grupo de pessoas que mais podem ser afetadas pela doença. Pessoas que tiveram depressão ao longo da vida correm um risco maior de desenvolver Alzheimer quando mais velhos. Diabéticos também têm mais chance de serem afetados, principalmente pacientes com diabetes tipo 2.
O principal sintoma, além da depressão, é a perda de memória e a incapacidade de formar novas recordações, de acordo com Ferreira. “Nos casos de sintomas iniciais, a pessoa fica incapaz de reconhecer rostos que ele pode ter visto há pouco tempo ou ainda esquecer coisas recentes como, por exemplo, onde guardou as chaves”, explica o especialista.


Estudo descobre mutação genética que protege contra Alzheimer

Alteração no gene APP reduz formação de placas no cérebro.
Processo também freia perda de capacidade de aprendizagem.

Uma equipe internacional de cientistas descobriu uma mutação genética que protege contra o mal de Alzheimer e a perda de capacidade de aprendizagem causada pelo envelhecimento, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (11) pela revista científica “Nature”.

O grupo liderado por Kari Stefansson, do centro “deCODE Genetics”, em Reykjavik, na Islândia, estudou o genoma completo de 1.795 islandeses. Eles descobriram uma mutação em um gene chamado APP que funciona como uma defesa natural do cérebro.
Segundo os pesquisadores, essa mutação reduziria em até 40% a formação de uma substância conhecida como proteína amiloide em idosos saudáveis. Esta proteína se acumula e forma placas no cérebro dos pacientes, provocando o surgimento do mal de Alzheimer.
“Pelo que sabemos até agora, [esta mutação] representa o primeiro exemplo de uma alteração genética que confere uma proteção forte contra o mal de Alzheimer”, afirma o artigo.
Os cientistas descobriram também que esta mesma mutação freia a perda de capacidade de aprendizagem nos idosos que não sofrem do mal de Alzheimer. Por isso, o trabalho indica que os dois transtornos possam ter mecanismos no mínimo similares.
O estudo mostrou que a função cognitiva dos idosos de 80 a 100 anos portadores dessa mutação funcionava muito melhor que a daqueles que não a tinham.
Stefansson considera que o Alzheimer poderia representar o caso mais extremo de deterioração da função cognitiva relacionado à idade.
Até o momento, os cientistas descobriram 30 mutações no gene APP, 25 das quais se consideram causadoras da doença em idades avançadas, mas esta é a primeira vez que se detecta uma mutação relacionada com a aparição do Alzheimer em idosos.
Mais de 5% dos maiores de 60 anos sofrem de algum tipo de demência e, em dois terços dos casos, se trata de Alzheimer.


Mutação genética triplica risco de desenvolver Alzheimer, sugere estudo

Cientistas analisaram gene que ajuda a controlar sistema imunológico.
Fatores ambientais e hereditários contribuem para surgimento de doença.

Um grupo de cientistas descobriu uma estranha mutação genética que parece triplicar o risco de desenvolver Alzheimer e proporciona importantes pistas sobre como funciona esta enfermidade, incurável até o momento.
Cientistas de duas equipes independentes chegaram ao mesmo resultado, publicado nesta semana em dois estudos da revista médica semanal "New England Journal of Medicine".
De acordo com as investigações, uma mutação do gene Trem2, que ajuda a controlar as respostas do sistema imunológico, é de três a quatro vezes mais frequente nos pacientes idosos com Alzheimer que nos que não sofrem a doença.
A característica do Alzheimer é a acumulação de placas e emaranhados no tecido cerebral. Nos corpos normais, sem a doença, as moléculas inflamatórias do sistema imunológico ajudam a limpar esta acumulação antes de ela se converter em um problema.
A função do gene Trem2 é manter a resposta inflamatória sob controle, para evitar que as moléculas inflamatórias danifiquem o tecido saudável. Contudo, a pesquisa preliminar indicou que a mutação do Trem2 poderia pôr o gene para funcionar em pleno vapor, impedindo as moléculas inflamatórias de fazer seu trabalho.
"Enquanto a mutação genética que encontramos é extremamente rara, seu efeito no sistema imunológico é um forte indicador de que este sistema pode ser chave na enfermidade", disse a pesquisadora da University College de Londres Rita Guerrero, autora principal de um dos estudos.

Fatores de risco

A mutação foi encontrada em menos de uma em 200 pessoas no total e em menos de um em cada 50 pacientes com Alzheimer, o que significa que não é provável que, por si só, seja suficiente para causar a enfermidade. Acredita-se que uma combinação de fatores ambientais e hereditários contribuem para o desenvolvimento do Alzheimer.
Contudo, os pesquisadores disseram que identificar esta mutação e seu possível papel no desenvolvimento do Alzheimer é um passo na direção correta. "Este é um passo importante para descobrir as causas ocultas da enfermidade, para que possamos desenvolver tratamentos e intervenções para pôr fim a um dos maiores problemas de saúde do século XXI", disse Peter St. George-Hyslop, da Universidade de Toronto.
Outro dos principais pesquisadores, Kevin Morgan da Universidade de Nottinghan, disse que "o risco associado a esta nova variante é o maior até o momento e anuncia uma nova era na pesquisa genética (do Mal de Alzheimer)".
"Finalmente estamos começando a presenciar importantes avanços que, com sorte, terão como resultado o desenvolvimento de terapias para ajudar a aliviar esta condição devastadora", acrescentou.

Cientistas debatem criação de medicamento

Os cientistas disseram que, potencialmente, poderiam desenvolver novos medicamentos para controlar o gene Trem2 e impedir que interfira excessivamente na resposta inflamatória. Um dos estudos foi realizado por uma equipe internacional de pesquisadores com base na Grã-Bretanha, Canadá e Estados Unidos, utilizando uma base de dados de 25.000 pessoas.
O outro foi realizado por pesquisadores da Islândia, que utilizaram dados de 2.261 idosos do país e logo confirmaram os resultados com mostras representativas da população nos Estados Unidos, Noruega, Países Baixos e Alemanha.

Droga contra câncer combate efeitos do Alzheimer em camundongos

'Bexaroteno' reduziu os níveis de substância típica no avanço da doença.
Remédio é aprovado nos EUA apenas contra certos tipos de tumores.

Uma droga usada para o combate de tumores foi aplicada com sucesso para reduzir os efeitos do Alzheimer em camundongos nos Estados Unidos. O grupo responsável pela pesquisa usou um composto conhecido como bexaroteno para livrar o cérebro dos roedores de depósitos de proteína que provocam a doença.
O estudo é tema da edição desta semana da revista "Science" e foi desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina Case Western, na cidade norte-americana de Cleveland, em Ohio.

Fragmentos de proteína conhecidos como beta-amiloides são peças-chave no desenvolvimento do Alzheimer, mas em pessoas saudáveis, esses pedaços são destruídos por uma enzima chamada ApoE.
A equipe coordenada pela cientista Paige Cramer sabia que o bexaroteno é capaz de estimular a ativação da enzima. O grupo resolveu apostar na possibilidade do remédio conseguir aumentar os níveis de ApoE e reduzir os níveis de beta-amiloide.
Os camundongos utilizados na pesquisa eram propensos a desenvolver a doença. Apenas seis horas após a aplicação da droga, os cientistas notaram uma diminuição de 25% nos níveis de amiloide-beta no cérebro das cobaias. No final do experimento, o grupo obteve até 75% de queda nos níveis dos fragmentos de proteína.
À esquerda, o córtex cerebral de camundongos medicados durante três dias com bexaroteno. À direita, roedores que receberam a droga por duas semanas. Os pontos azuis marcam a presença de fragmentos de proteína que provocam o Alzheimer. (Foto: Copyright Science / AAAS)
À esquerda, o córtex cerebral de camundongos medicados durante três dias com bexaroteno. À direita, roedores que receberam a droga por duas semanas. Os pontos azuis marcam a presença de fragmentos de proteína que provocam o Alzheimer. (Foto: Copyright Science / AAAS)

Os animais também apresentaram melhoras cognitivas, na interação social e no olfato. Os pesquisadores destacaram a capacidade que os roedores apresentaram em formar "ninhos" com o material disponível no laboratório, característica que era sufocada pelo desenvolvimento da doença.
Somente nos Estados Unidos, 5,4 milhões de pessoas sofrem com o Alzheimer. Elas poderiam ser beneficiadas caso a droga receba uma nova aprovação da autoridade sanitária norte-americana para combate à doença neurodegenerativa.

Exercício diário diminui risco de Alzheimer em idosos, mostra estudo

Constância ajuda a regredir risco até para os maiores de 80 anos.
Atividades domésticas podem ser encaradas como ginástica.

A atividade física diária pode reduzir o risco de declínio cognitivo e de ter a doença de Alzheimer mesmo em pessoas com mais de 80 anos de idade, segundo um novo estudo realizado por pesquisadores do Centro Médico  Universitário Rush, em Chicago, nos Estados Unidos. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (18) na edição online da revista “Neurology”, o jornal da Academia Americana de Neurologia.

"Os resultados do nosso estudo indicam que todas as atividades físicas, incluindo o exercício, bem como outras atividades, como cozinhar, lavar pratos e fazer limpeza estão associados a um risco reduzido de doença de Alzheimer," afirma o professor da Ciências Neurológicas da Universidade Rush Aron S. Buchman, principal autor do estudo.
"Estes resultados apoiam os esforços para incentivar todos os tipos de atividade física, mesmo em adultos muito velhos que não são capazes de fazer exercícios comuns, mas podem ainda se beneficiar com um estilo de vida mais ativo", reitera Buchman.
Para medir a quantidade de exercício diária que pode trazer tais benefícios, os pesquisadores pediram a 716 idosos sem demência, com idade média de 82 anos, para usar um dispositivo chamado actigráfico, que monitora a atividade pelo pulso, por dez dias.
Todos os exercícios e momentos foram registrados. Aos participantes também foram dados testes cognitivos para medir a memória e a habilidades de pensamento. E também foram pedidos para relatarem suas atividades físicas e sociais feitas no período.
Durante 3,5 anos de acompanhamento, 71 participantes desenvolveram Alzheimer.
A pesquisa descobriu que as pessoas que não faziam mais do que 10% de atividade física recomendada tinham mais do que o dobro da probabilidade (2,3 vezes) de desenvolver Alzheimer comparado as pessoas que faziam mais exercícios, e tinham quase o triplo (2,8 vezes) de chance de desenvolver a doença do que as pessoas que faziam bastante atividade física.
"Desde que o actigráfico foi anexado ao pulso, atividades como cozinhar, lavar os pratos, jogar cartas e até mesmo mover uma cadeira de rodas com os braços foram consideradas benéficas", disse Buchman.
"Essas atividades são de baixo custo, facilmente acessíveis e livres de efeitos colaterais, o que indica que fazer atividades pode ser possível em qualquer faixa etária, incluindo pessoas com idade avançada para, possivelmente, evitar a doença de Alzheimer."
O número de americanos com mais de 65 anos de idade com a doença irá dobrar para 80 milhões até 2030.

Andar lento pode prever Alzheimer em pessoas acima de 60 anos, diz estudo

Pesquisa reforça ligação entre performance física, demência e infarto; especialistas pedem mais estudos para esclarecer razões e fatores envolvidos.

A velocidade com que um indivíduo caminha pode dar pistas sobre a probabilidade do aparecimento de demência em um período mais avançado da vida, afirma um estudo conduzido por pesquisadores americanos.
Ainda segundo a equipe, as chances de um derrame também podem ser indicadas pela firmeza da empunhadura.
O estudo segue o caminho de outras pesquisas que também indicaram conclusões semelhantes.
Uma pesquisa publicada em 2009 no 'British Medical Journal' observou uma "forte associação" entre caminhar lentamente e morrer de ataque cardíaco ou outros problemas cardíacos.
Mais recentemente, outro artigo no "Journal of the American Medical Association" sugeriu uma relação entre caminhar mais rápido após os 65 anos de idade e viver mais.

Na última pesquisa, coordenada pela especialista Erica Camargo, do Boston Medical Center, os pesquisadores registraram imagens do cérebro, a velocidade da caminhada e a firmeza da empunhadura de 2.410 pessoas com idade média de 62 anos de idade.
Ao cabo de onze anos, 34 haviam desenvolvido demência e 79 haviam tido um derrame.
Segundo os pesquisadores, as velocidades mais baixas de caminhada estavam relacionadas a um maior risco de demência, enquanto uma empunhadura mais forte coincidiu com chances mais baixas de derrame.
Camargo indicou que o estudo pode servir de base para testes simples para prever o risco de demência ou derrame, que podem ser feitos por médicos no próprio consultório.
"Precisamos de mais estudos para entender por que isto acontece, e para saber se alguma doença preexistente pode ter causado a lentidão da caminhada ou a diminuição da força física", afirmou.
Reações
As conclusões foram apresentadas no encontro anual da Academia de Neurologia e ainda precisam ser publicada sob o selo de uma revista acadêmica, após a revisão da comunidade científica.
O estudo foi bem recebido por dois especialistas britânicos ouvidos pela BBC. Entretanto, ambos enfatizaram a necessidade de mais estudos para encontrar uma explicação para estas relações.
"Antes que as pessoas comecem a prestar atenção em um apertar de mãos ou a velocidade de cruzar a rua, precisamos de outras pesquisas para entender as razões e os fatores envolvidos", disse Anne Corbett, diretora de Pesquisas da organização britânica Alzheimer Society.
"A boa notícia é que há muitas que podem ser feitas para evitar o risco de desenvolver demência: adotar uma dieta equilibrada, não fumar, manter o peso, se exercitar regularmente e checar regularmente a pressão sanguínea o nível de colesterol."
Para Sharlin Ahmed, diretor da organização Stroke Association, para o estudo de ataques cardíacos, se trata de um "estudo interessante", mas ainda são necessários mais dados.
"Cerca de um terço das pessoas que sofrem derrame ficam com algum tipo de sequela física, incluindo fraqueza nas mãos e dificuldades de andar. Mas é a primeira vez que vimos uma pesquisa que analisa a presença de sintomas relacionados antes de um ataque", afirmou.
"É um estudo interessante, mas precisamos de mais pesquisas antes de concluir que a força de uma empunhadura ou a velocidade de uma caminhada possam determinar os riscos de derrame."

Falar duas línguas ajuda a retardar o surgimento do Alzheimer

Habilidade pode atrasar em até cinco anos a aparição de sintomas.
Uso de línguas estimula regiões do cérebro de controle cognitivo.

Pesquisadores canadenses afirmaram nesta quinta-feira (29) que  estudos recentes demonstram que o cérebro das pessoas bilingues estão mais protegidos do declínio cognitivo e podem ter retardado o aparecimento de doenças degenerativas.

O estudo, 'Bilinguismo: consequências para a mente e o cérebro', publicado na revista médica 'Trends in Cognitive Sciences', indica que o envelhecimento das pessoas fluentes em dois idiomas é menos suscetível a doenças como o Alzheimer.
'O bilinguismo tem um efeito leve entre os adultos, mas um impacto maior na velhice, um conceito conhecido como 'reserva cognitiva'', afirmaram os autores do estudo, pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade de York (Canadá).

Os cientistas acreditam que o uso de duas línguas estimula regiões do cérebro que são básicas para a atenção geral e o controle cognitivo.
Tendo que administrar duas línguas simultaneamente, o sistema de controle executivo do cérebro, que é o que facilita a concentração, é executado de forma contínua para evitar conflitos entre as línguas.
Outro estudo canadense divulgado em 2010 apontou que o bilinguismo pode ajudar a atrasar em até cinco anos a aparição dos sintomas do Alzheimer.

Fonte:http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/

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