AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE

Avaliação da Qualidade de Vida 

na Terceira Idade 


Resumo: A expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando progressivamente nos últimos anos e, consequentemente, haverá um constante envelhecimento populacional nas próximas décadas. Desta forma, este estudo teve como objetivos específicos avaliar a qualidade de vida na terceira idade em seus aspectos objetivos e subjetivos, bem como verificar as diferenças nos escores de qualidade de vida no que se refere ao gênero. Por último buscou verificar o nível de satisfação dos idosos em suas relações pessoais, correlacionando-os com sentimentos negativos tais como mau humor, desespero, ansiedade e depressão. Utilizando-se de uma abordagem quantitativa e método dedutivo foi realizada uma pesquisa de campo com vinte e cinco idosos que frequentam um Centro de Convivência do Idoso de um município do interior do estado de Rondônia. Destes, quinze foram do sexo masculino e dez do feminino. Como instrumento para coleta de dados foi utilizado o questionário WOQOL-bref, da organização mundial de Saúde (OMS). Com base nos objetivos da pesquisa e nos resultados obtidos conclui-se que a qualidade de vida dos participantes é satisfatória, havendo uma diferença negativa correspondente a um percentual de vinte por cento nos escores de qualidade de vida para sexo feminino quando comparado ao masculino. Os resultados encontrados apontaram ainda correlações inversamente proporcionais entre satisfação nas relações pessoais e frequência de sentimentos negativos.
Palavras-chave: Qualidade de vida, Terceira idade, Nível de satisfação.

1. Introdução

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008), a expectativa média de vida no Brasil passou de 45,5 em 1940 para 72,7 no ano de 2008.
De acordo com este mesmo instituto há projeções de se alcançar uma expectativa média de vida de 81,29 anos até o ano de 2050. Este fato implica na necessidade de estudos e pesquisas visando a adequações de políticas públicas voltadas para a terceira idade.
Sabendo que os indivíduos nesta faixa etária viverão cada vez mais uma questão necessária de ser investigada é a relação entre longevidade e qualidade de vida. Como a população idosa local não foge a esta realidade, verificar se os mesmos estão envelhecendo com boa qualidade de vida.
Diante dos motivos explanados acima anteriormente e ainda aos trabalhos realizados com a população idosa ao longo do curso de graduação em psicologia da faculdade de Rolim de Moura – FAROL por meio do projeto “Psicologia em ação: um olhar para a terceira idade” surgiu o interesse em investigar mais a qualidade de vida da terceira idade desta população.
Desse modo, o estudo teve como objetivos principais verificar se os idosos apresentam boa qualidade de vida e se existem diferenças nos escores de qualidade de vida entre homens e mulheres. Objetivou ainda verificar os níveis de satisfação nas relações pessoais e a frequência de sentimentos negativos, correlacionando estas duas variáveis, verificando se estas estão diretamente correlacionadas. 
Desta forma este estudo contribui com uma melhor compreensão do tema qualidade de vida da terceira idade. Os dados levantados poderão servir de base para a consecução de alternativas de intervenções com esta população tais como projetos e programas (palestras, cursos, atividades que propiciem interação social, etc.) voltados à manutenção e melhoria da qualidade de vida dos mesmos.
A fim de atender aos objetivos propostos neste artigo o mesmo está dividido esquematicamente da seguinte forma: primeiramente são abordados conceitos sobre terceira idade, qualidade de vida na terceira idade e das relações entre relações pessoais e qualidade de vida na terceira idade. Em seguida é apresentada uma descrição da metodologia (sujeitos, instrumentos e métodos). Posteriormente apresenta-se a descrição dos resultados, discussões, considerações finais e encerra-se com as referências bibliográficas.

2. Definição de Terceira Idade

O processo de envelhecer é historicamente compreendido sob duas perspectivas distintas: uma que o compreende como sendo o estágio final da vida que direciona o indivíduo rumo à morte; outra, que o percebe como sendo um momento de sabedoria, de serenidade e maturidade (ARRUDA2007).
No decorrer deste processo o ser humano passa por diversos ciclos de vida onde ocorrem variadas transformações fisiológicas, bioquímicas e psicológicas. Transformações estas que são significativamente acentuadas na fase da terceira idade (CAMARANO, 2006).
De acordo com o autor citado anteriormente estes ciclos eram a princípio divididos em três idades: a primeira, que seria a infância e a adolescência vistas conjuntamente; a segunda sendo a vida adulta; e terceira, a velhice. Porém, recentemente estas fases foram subdivididas. Fala-se hoje na existência de no mínimo sete fases: infância, adolescência, juventude, idade adulta ou madura, meia idade, terceira e quarta idade.Em relação à fase que nos deteremos neste estudo Peter Laslett foi um dos primeiros autores a propor o entendimento da terceira idade como sendo uma nova e diferenciada etapa da vida, que se interpõe entre a idade adulta e a velhice propriamente dita (SILVA, 2008).
Embora proposto por Laslett, Medeiros (2003), afirma que o termo terceira idade foi criado pelo gerontologista francês Huet e surgiu para expressar os novos padrões de comportamento de uma geração que envelhece de forma ativa.
Ao se tentar estabelecer um limite a partir do qual um indivíduo possa ser considerado pertencente a esta faixa etária nos deparamos com uma série de divergências, pois existem diferentes critérios que podem demarcar o que venha a ser um idoso (MULLER, 2007).
Como propõe Zimerman (2000), o indivíduo na terceira idade é aquele que tem diversas idades: a idade do seu corpo, da sua história genética, da sua parte psicológica bem como da sua ligação com a sociedade.
Neste sentido este termo não faz referência tão somente a um conjunto de pessoas com muita idade, mas a pessoas com determinadas características sociais e biológicas.  Idoso não seria apenas um indivíduo em certo ponto do ciclo de vida orgânico, mas também em um dado ponto do curso da vida social (LEAL, 2006).
Embora existam estes variados critérios, o mais comumente adotado até o momento é o que se baseia no limite etário. É o caso da definição adotada pela política nacional do idoso através da Lei 8.842, de 4 de janeiro de 1994 (CAMARANO, 2004), ou ainda o proposto pelo Estatuto do Idoso, Lei n. 10.741 (BRASIL, 2003), que consideram idosa a pessoa com idade acima dos sessenta anos.

3. Qualidade de Vida

A expressão qualidade de vida foi empregada pela primeira vez pelo presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson no ano de 1964, sendo que este termo pode ser decomposto em duas palavras distintas: qualidade e vida (FLECK et al., 2000­). É importante fazer esta distinção para que mais tarde possamos compreender o porquê da existência de uma variedade de definições para qualidade de vida ocorrida ao longo dos tempos.
De acordo com Ferreira (1986), a palavra qualidade é um substantivo feminino abstrato com diversos sentidos ou significados. Já o termo vida pode ser definido pelo mesmo autor como sendo a própria existência, o espaço decorrente entre o nascimento e a morte.
Diante da multiplicidade de definições destes termos, qualidade de vida  foi definida de variadas formas ao longo do tempo. Porém, mesmo diante de diversas definições, tal expressão tem por base três princípios fundamentais: capacidade funcional, nível socioeconômico e satisfação. Pode ainda estar relacionada aos seguintes componentes: capacidade física, estado emocional, interação social, atividade intelectual, situação econômica e ainda autoproteção de saúde (SANTOS et al, 2002).
Apesar da pluralidade de definições para qualidade de vida tomaremos por base neste estudo a definição adotada pela divisão de estudos da qualidade de vida da organização mundial de saúde.  Esta define qualidade de vida como sendo a percepção do indivíduo em relação a sua posição na vida, no contexto de sua cultura, do sistema de valores e ainda em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. (FLECK et al. 2000).

4. Relações Pessoais e Qualidade de Vida na Terceira Idade

A literatura sugere correlações entre contato social, apoio e longevidade já que indivíduos que mantém maior contato com amigos e familiares possivelmente vivam por mais tempo do que aqueles que se abstêm desses relacionamentos (AREOSA, 2010).
Esta ideia é corroborada por Carneiro (2007), pois o mesmo afirma que as relações pessoais levam o indivíduo a acreditar que é querido, amado, estimado e que faz parte de uma rede social. Esta crença poderá ter implicações positivas sobre sua saúde. Por outro lado este autor afirma ainda que uma relação social pobre tem sido considerada um fator de risco à saúde do idoso, tão prejudicial quanto o fumo, a hipertensão ou a obesidade.
Desta forma é possível concluir que as redes de apoio social - formadas por meio dos relacionamentos pessoais, são de grande importância no estágio da velhice. Tal importância se justifica tendo em vista que é nesta fase da vida que os idosos têm de se adaptar a uma variedade de perdas (Neri, 2001).

5. Metodologia

5.1 Sujeitos

Fizeram parte deste estudo 25 idosos frequentadores de um Centro de Convivência do Idoso. Como critério de inclusão foi usado a idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. A amostra foi composta por um percentual de 10% (15 pessoas) de indivíduos do sexo masculino e 10% (10 pessoas) do sexo feminino já que aos propósitos deste estudo a variável sexo era importante. Desta forma, participou da pesquisa um total de 10% da população total (250) que frequentam o centro de Convivência do idoso até os meses de agosto e setembro do corrente ano.

5.2 Instrumento

Para coleta de dados foi utilizado o questionário de avaliação de qualidade de vida WHOQOL – bref, de coordenação do grupo WHOQOL (OMS, 1998) no Brasil, pelo programa de saúde mental da Organização Mundial da Saúde de Genebra (OMS) e de propriedade da mesma organização. A avaliação, tradução transcultural e validação para o português do Brasil deste instrumento foram  realizadas no ano de 2000. Este é um instrumento genérico de autorrelato referente às duas últimas semanas e composto de 26 itens, dentre os quais dois avaliam a qualidade de vida geral e os demais (24) a qualidade de vida nos domínios físicos, psicológicos, relações sociais e meio ambiente.

5.3 Métodos

Para realização do estudo foi utilizado primeiramente o método exploratório a fim de proceder ao levantamento bibliográfico, visando à elaboração do referencial teórico do artigo. Quanto ao método utilizou-se o dedutivo e uma abordagem quantitativa de natureza descritiva. Sendo esta uma pesquisa de campo, para a composição da amostra foi utilizada a técnica probabilística randômica simples.

5.4 Procedimentos

De posse da Carta de Anuência da Instituição Sediadora, foi realizado contato com a direção da instituição a fim de esclarecer os objetivos da pesquisa e solicitar autorização para coleta de dados. Tendo sido autorizada a pesquisa, a coleta de dados foi realizada nos meses de agosto e setembro de 2012. O questionário foi aplicado nas dependências da própria instituição sediadora, de forma individual e reservada ás quartas feiras dos meses acima mencionados quando dos encontros semanais dos mesmos.
 Embora o instrumento utilizado seja autoaplicável, no transcorrer da coleta de dados optou-se pela entrevista a ser realizada pelo próprio pesquisador, visto que a dificuldade de leitura e compreensão das questões por parte da população pesquisada, dadas as suas limitações visuais e cognitivas, poderiam provocar distorções na fidedignidade dos dados.
Cada participante só respondeu ao questionário após ter tomado conhecimento acerca dos objetivos, do direito a desistir de participar da pesquisa a qualquer tempo e terem sido esclarecidas todas as dúvidas levantadas acerca do estudo e ainda ter assinado o Termo de Consentimento Pós-Informação (TCPI).
A tabulação dos resultados foi realizada empregando-se procedimentos da estatística descritiva e analisados quantitativamente através do software Microsoft Excel direcionada para o cálculo dos escores e estatística descritiva do instrumento WHOQOL-bref – seguindo a sintaxe proposta pelo Grupo WHOQOL (PEDROSO et al., 2010), e seus resultados apresentados por meio de gráficos de barras no item resultados.
As respostas a cada item do questionário usado para coleta de dados variavam de 1 a 5, onde quanto mais próxima de 5 melhor a qualidade de vida do indivíduo. Uma exceção é feita em relação a esta regra já que nas questões de números 3, 4 e 26 é exigido que seja feita a conversão dos valores obtidos durante a aplicação. Tais conversões se dão da seguinte forma: (1=5), (2=4), (3=3) e (5=1).

6. Resultados

Gráfico 1 - Escores de qualidade de vida totais e por gênero, Rolim de Moura, RO, 2012.
Gráfico 1 - Escores de qualidade de vida totais e por gênero, Rolim de Moura, RO, 2012.
 Fonte: o autor (2012)
Os escores totais de qualidade de vida, incluindo os dois gêneros conjuntamente, foram de 64,5. Quando os escores de qualidade de vida são considerados separadamente o sexo masculino e o feminino os resultados foram no valor de 72,5 para homens e 52,5 pra as mulheres.
Gráfico 2 - Nível de satisfação nas relações pessoais e frequência de sentimentos negativos, Rolim de Moura, RO, 2012.
Gráfico 2 - Nível de satisfação nas relações pessoais e frequência de sentimentos negativos, Rolim de Moura, RO, 2012.
Fonte: o autor (2012)
Ao se avaliar os níveis de satisfação no que se refere às relações pessoais com amigos, parentes, conhecidos e colegas obteve-se os seguintes resultados: quatro (16%) indivíduos responderam estar insatisfeitos com as relações pessoais, três (12%) não estão nem satisfeitos e nem insatisfeitos, nove (36%) estão satisfeitos e nove (36%) responderam estar muito satisfeitos.  
Em relação à frequência de sentimentos negativos tais como mau humor, desespero, ansiedade e depressão os resultados obtidos foram: três participantes (12%) relataram ter estes tipos de sentimentos frequentemente, três (12%) muito frequentemente, quatorze (56%) algumas vezes, um (4%) sempre e quatro (16%) responderam nunca ter este tipo de sentimento.
Correlacionando os resultados dos níveis de satisfação nas relações pessoais à frequência de sentimentos negativos observa-se que daqueles indivíduos que estão insatisfeitos um (4%) relatou ter sentimentos negativos frequentemente, um (4%) muito frequentemente e dois (8%) algumas vezes. Dos que não estão nem satisfeito e nem insatisfeitos um (4%) relatou sempre ter sentimentos negativos e dois (8%) muito frequentemente. Do conjunto daqueles que se consideram satisfeitos nas relações pessoais um (4%) apresentou sentir frequentemente sentimentos negativos, sete (28%) algumas vezes e um (4%) nunca sentir. Já em relação aos que se declararam muito satisfeitos nas relações pessoais um (4%) relata frequentemente sentir sentimentos negativos, cinco (20%) sentem algumas vezes e três (12%) responderam nunca sentir.

7. Discussão

O presente estudo teve como objetivo principal avaliar a qualidade de vida geral da terceira idade nos aspectos objetivos e subjetivos. Neste sentido, como pode ser observado no gráfico 1, os resultados levantados permitem afirmar que a população pesquisada apresentou uma qualidade de vida considerada satisfatória, confirmando a hipótese de que esta população apresentaria boa qualidade de vida. Nesta questão este estudo não difere de tantos outros (CARNEIRO, 2007; CHEPP, 2006), encontrados na literatura e que apontaram resultados bastante semelhantes aos aqui encontrados.
Infere-se que estes resultados possam ser atribuídos à melhoria que vem acontecendo na qualidade de vida da população brasileira nos últimos tempos quanto ao acesso aos meios de saúde, comunicação, transporte, lazer, dentre outros (BORBA; SILVA, 2002). Melhorias estas que, obviamente, a população estudada tem oportunidade de acesso.
Em nível de contribuição local os fatores que podem ter contribuído para estes resultados quanto à qualidade de vida satisfatória foram ações como: atividades de lazer (encontros, passeios, dança, etc.), academia da terceira idade e cuidados de saúde oferecida aos idosos pelo Centro de Convivência que os mesmos frequentam semanalmente.
Provavelmente estas ações vem a contribuir para a melhoria da saúde física e psicológica desta população, influenciando de forma positiva em sua autoestima e, consequentemente, em sua percepção pessoal quanto a sua qualidade de vida geral.
Quanto à correlação entre os escores de qualidade de vida em relação ao gênero, os dados obtidos demonstraram haver diferenças negativas num percentual de 20% para o sexo feminino. Conforme mostra o gráfico 2, o sexo masculino obteve escores de 72,5 e o feminino 52,5.
Talvez tais diferenças possam ser atribuídas às características pessoais de cada gênero, já que a literatura a respeito demonstra que as mulheres apresentam fatores que as expõe a um risco maior no decorrer do envelhecimento (NERI, 2001).
Dentre alguns estudos que correlacionaram os escores de qualidade de vida entre os gêneros encontramos os que se distanciam dos resultados aqui encontrados como aqueles que se aproximam. Alguns estudos (BALDUÍNO; JACOPETTI, 2009; CHEPP, 2006), por exemplo, ao compararem os escores de qualidade de vida entre gêneros não encontraram diferenças significativas.
Por outro lado os estudo de Pereira  et al. (2006), apontaram diferenças entre os sexos. Outro estudo que se aproxima bastante com os resultados aqui apresentados foi o de Neri (2001), que, no intuito de também verificar se homens e mulheres envelhecem de forma diferente, concluiu que o envelhecimento acarreta maiores riscos à mulher, tanto em termos de saúde como de funcionalidade, proteção ou integração social. Todos estes fatores resultam em menores escores de qualidade de vida para o sexo feminino.
Quando se correlacionou o nível de satisfação nas relações pessoais com amigos, parentes, conhecidos e colegas à frequência de sentimentos negativos de mau humor, desespero, ansiedade e depressão, foram obtidos dados que sugerem haver correlações entre estas duas variáveis, fato este que pode ser observado no gráfico 2.
Neste sentido, pode ser observado que dos sujeitos que se declararam muito satisfeitos nestas relações somente 11,1% responderam sentir frequentemente sentimentos negativos. Já o grupo que disseram estar satisfeito 16,6% relataram terem sentimentos negativos muito frequentemente ou frequentemente. Nos grupos dos que não estão nem satisfeitos nem insatisfeitos 33,3% sempre tem sentimentos negativos. Porém, quando se trata dos indivíduos insatisfeitos nas relações pessoais encontramos um percentual de 50% de frequência de sentimentos negativos entre frequentemente e muito frequente.
Assim, embora neste estudo dezoito indivíduos (72%) se declararam satisfeitos com as relações pessoais e apenas sete (28%) relataram sentimentos negativos frequente, muito frequente ou sempre, ao se correlacionar os dados por grupo de respostas se percebe que houve uma tendência correlacional entre as duas variáveis. Os resultados mostraram, em uma ordem inversamente proporcional, que quanto mais satisfeitos nas relações pessoais menor foi a frequência de sentimentos negativos.
Embora não se possa fazer afirmações conclusivas, tais resultados talvez se deram pelo fato de muitos dos indivíduos pesquisados morarem sozinhos ou apenas com seu cônjuge, nesta fase do ciclo vital os filhos geralmente já saíram de casa. Todos estes fatores associados às limitações físicas e de saúde – bastante característica nesta fase, muitas vezes trazem como consequência uma maior dificuldade do idoso interagir socialmente, fato este que acaba consequentemente interferindo negativamente na qualidade de vida nas relações pessoais.
Acredita-se que as tendências correlacionais encontradas neste estudo podem ser, senão totalmente pelo menos de forma parcial, explicadas apoiando-se teoricamente em autores como Ramos (2002), que sustenta ser as relações sociais, e nestas estão inclusas também as relações pessoais, um dos fatores importantes para a manutenção de uma boa qualidade de vida.  Fator este que poderá exercer um papel considerado essencial na manutenção ou mesmo na promoção da saúde física e mental na terceira idade.
Aponta neste mesmo sentido Freire (2007), ao afirmar que as relações pessoais com amigos, conhecidos e familiares, bem como a capacidade de interação social, são aspectos fundamentais para a garantia de uma boa qualidade de vida.
Ao analisarmos isoladamente a frequência de respostas no quesito relações pessoais um fato que chamou bastante a atenção foi que, apesar de a maioria da população pesquisada apresentar boa qualidade de vida, um percentual bastante alto de indivíduos (44%), responderam que não estão nem satisfeito nem insatisfeito ou mesmo insatisfeitos nas relações pessoais. Estes dados sugerem a necessidade de melhorias neste aspecto, pois apontam deficiências na área das relações pessoais desta população.
Destaca-se que não foram encontradas na literatura estudos que correlacionassem, especificamente, estas duas variáveis (relações pessoais x sentimentos negativos) verificando sua influência na qualidade de vida. Desta forma, não foi possível comparar os dados aqui encontrados com outras pesquisas. Isso revelou a carência de estudos neste sentido e a necessidade de se verificar, por meio de outros estudos, se esta é uma característica específica da população aqui estudada ou uma tendência geral.

8. Considerações Finais

Em relação à investigação da qualidade de vida na terceira idade, realizado por meio do instrumento WHOQOL-Bref, estedemonstrou uma avaliação positiva desta população, apontando uma qualidade de vida satisfatória, diferenças entre a qualidade de vida de homens e mulheres e ainda uma correlação entre satisfação nas relações pessoais e frequência de sentimentos negativos. Desta forma é possível concluir que todas as hipóteses anteriormente formuladas acerca do tema foram confirmadas. Através do confronto entre os resultados encontrados e outros estudos sobre o mesmo tema possibilitou perceber que a qualidade de vida da população idosa local não difere muito dos demais.
Pode-se concluir que o presente estudo permitiu aprofundar a compreensão sobre a temática aqui estudada e trazê-la à discussão em âmbito acadêmico e social. Todos os conhecimentos obtidos, seja através da pesquisa bibliográfica ou de campo, enriqueceram os conhecimentos na medida em que proporcionam um melhor detalhamento teórico e prático acerca do tema qualidade de vida na terceira idade.
Acerca dos obstáculos encontrados na realização deste estudo salienta-se a dificuldade na coleta de dados, já que a população aqui estudada, dada as suas limitações visuais e cognitivas, apresentou grande dificuldade em responder por si só ao instrumento. Desta forma foi preciso este pesquisador auxiliá-los de forma individual no preenchimento, o que demandou bastante tempo.
Porém, apesar de algumas dificuldades encontradas não se pode deixar de salientar os pontos positivos. O fato de ir a campo possibilitou o contato com a realidade daquela população e assim durante a coleta de dados foi possível conhecer, in loco, a realidade dos idosos, suas queixas, seus anseios bem como suas alegrias e perspectivas.
Esta oportunidade ímpar de contato com os mesmos enriqueceu enormemente este pesquisador, não como acadêmico ou pesquisador apenas, mas também como pessoa, pois se entende que se deve procurar manter não somente um olhar clínico sobre o outro, mas, sobretudo, um olhar humano sobre o indivíduo.
Como este estudo não teve a intenção de esgotar o assunto “Qualidade de vida na terceira idade” e, apesar de responder a algumas perguntas, deixou várias outras a serem investigadas, acredita-se ser importante outros estudos com essa população, sobretudo no que se refere a se investigar, mais detalhadamente, a correlação entre relações pessoais e frequência de sentimentos negativos, já que enfrentamos grandes dificuldades em encontrar literaturas a este respeito.

Sobre o Artigo:

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito avaliativo para conclusão do curso de graduação em psicologia da faculdade de Rolim de Moura – FAROL, sob orientação da Professora Esp. Simone Lia Pires.

Sobre o Autor:

Everaldo Sebastião Fornelli da Silva - Graduado em psicologia pela Faculdade de Rolim de moura - FAROL. Pós graduando em Investigaçao criminal e psicologia forense pelo Instituto A Vez do Mestre AVM, Brasilia - DF. Email: vefornelli@hotmail.com

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Fonte:https://psicologado.com/atuacao/psicologia-da-saude/avaliacao-da-qualidade-de-vida-na-terceira-idade

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