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QUATRO IRMÃOS CENTENÁRIOS QUE PODEM AJUDAR A DESVENDAR A LONGEVIDADE - OS ESTUDOS SOBRE A VIDA LONGA

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Quatro irmãos centenários que podem ajudar a desvendar a longevidade


Posted by  on 10/12/2017

Quatro irmãos que viveram até depois dos 100 anos são peças centrais de um estudo que há duas décadas investiga os genes por trás da longevidade. Nenhum dos quatro irmãos Kahn, que nasceram em Nova York na década de 1910, se importava em ter hábitos muito saudáveis. Mesmo assim, eles viveram até os 102, 107, 109 e 110 anos. A irmã mais velha, Helen, fumou por mais de 90 anos. “Ela dizia que o segredo de sua vida longa era exatamente ela ter fumado tanto”

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch
Os 4 irmãos centenários que podem ajudar a desvendar o segredo genético da longevidade
A irmã mais velha, Helen, fumou por mais de 90 anos. “Ela dizia que o segredo de sua vida longa era exatamente ela ter fumado tanto”, contou à BBC Brasil Nir Barzilai, diretor do Instituto para Pesquisa do Envelhecimento na Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York.
Barzilai coordena desde 1998 o Projeto dos Genes da Longevidade, que investiga o material genético e o histórico médico de 670 idosos e seus filhos. Fazem parte do estudo judeus asquenazes – provenientes da Europa Central e do Leste e que têm um material genético historicamente mais homogêneo, ideal para a pesquisa.
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Todos os irmãos Kahn passaram dos 100 anos com vida saudável
Na época da coleta de amostras, eles tinham idades entre 95 e 112 anos, e eram todos saudáveis. Boa parte, como os irmãos Kahn, já faleceu, mas seus genes continuam trazendo novas respostas sobre como é possível se viver tanto.
“Fico fascinado por pessoas como os Kahn; me intriga como a idade cronológica de alguns parece não combinar com a biológica”, comenta Barzilai. “E em centenários, hoje já temos evidências de que a genética tem um papel muito maior que o ambiente”.
Entre os irmãos Khan, Irving começou sua carreira antes da Grande Depressão, de 1929, e há três décadas coordenava o fundo de hedge Kahn Brothers Group, que ele próprio fundou. Até os 106 anos, ele ainda trabalhava todos os dias na movimentada Wall Street e gerenciava US$ 700 milhões (R$ 2,7 bilhões) em ativos.
“Eu pagaria se você tirasse (o trabalho) de mim, eu o compraria de volta”, disse Irving Khan numa entrevista concedida para a pesquisa aos 104 anos, cinco anos antes de sua morte, em 2015.
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Nir Barzilai
Irving também fumou por anos. Aliás, entre os centenários do estudo, 30% das mulheres e 60% dos homens fumaram durante a maior parte da vida. Além disso, 50% eram obesos e 50%, sedentários. Mesmo assim, eram mais saudáveis que os demais indivíduos do estudo (o grupo controle).  Nir Barzilai há quase duas décadas estudas os genes da longevidade.
Barzilai faz questão de ressaltar que os hábitos saudáveis e o avanço da medicina continuam sendo essenciais para a longevidade dos seres humanos.
A população mundial de centenários vem, inclusive, crescendo com o passar dos anos: de 2,9 centenários em cada dez mil adultos em 1990 para 7,4 em dez mil, em 2015, segundo a ONU.
Mas a principal conclusão de Barzilai é que há genes que protegem os humanos de doenças relacionadas ao envelhecimento, como câncer, doenças cardiovasculares e neurológicas.
O bom colesterol
No caso dos irmãos Kahn (e de outros indivíduos pesquisados), as análises encontraram mutações em dois genes – CETP e APOC3 – que elevam os níveis de HDL, o “bom colesterol”. Enquanto os níveis normais de HDL da população ficam entre 40-50 mg/dL para homens, e 50-59 mg/dL, para mulheres, os indivíduos da pesquisa tinham em média 147 mg/dL. O alto HDL, por sua vez, mostrou proteger contra o declínio cognitivo e o mal de Alzheimer.
“A maioria da população não tem estas mutações, mas muitos longevos centenários as têm”, comenta Barzilai. “Com base nessas informações, já há estudos sendo feitos por farmacêuticas para imitar a ação dessas mutações genéticas em medicamentos”.
O hormônio do crescimento
Uma nova pesquisa do grupo americano tem inspiração na natureza: cães pequenos vivem mais que os maiores, e pôneis vivem mais que cavalos normais. Além disso, testes em camundongos já mostraram que baixos níveis do hormônio de crescimento (GH) estão associados com a longevidade. “Eu duvidava que este padrão pudesse ocorrer também em humanos”, disse Barzilai. “Mas encontramos alterações no funcionamento do hormônio de crescimento em mais de 50% dos centenários”.
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Os Irmãos Kahn nasceram nos anos 1910 em Nova York.
Os resultados das últimas análises trazem mais detalhes sobre o processo que já vem sendo estudado há alguns anos e serão em breve publicados na revista científica Science Advances. Em linhas gerais, eles mostram mutações (Ala-37-Thr e Arg-407-His) no receptor IGF1 do GH e outros fatores que inibem o hormônio de crescimento.   Nas mulheres, este efeito é ainda maior. As idosas com níveis mais baixos de hormônio do crescimento sobreviviam mais tempo e tinham melhores funções cognitivas do que aquelas com níveis acima da média.
A produção do GH aumenta durante a infância, tem seu pico na puberdade e começa a cair mais rapidamente a partir da meia idade. Por isso, tratamentos à base dessa proteína são promovidos para desacelerar os sinais de envelhecimento, especialmente nos Estados Unidos. Alguns estudos já vinham sinalizando que seu uso não deveria ser recomendado. E agora Barzilai reforça que a prática é prejudicial.
“Há médicos que estão dando GH para idosos. Mas se você quer ajudar pessoas a envelhecer bem, você deveria pensar em ter menos GH, e não injetar mais. Temos mais evidências de que esta prática está errada e deveria ser interrompida”, afirma o pesquisador.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera o uso de medicamentos à base de GH sob prescrição médica apenas para tratar alterações do hormônio. Mas há casos de outros usos, sem aprovação, para fins estéticos ou melhora da performance esportiva.
As mitocôndrias
espiral-luz-dnaBarzilai junto a outros pesquisadores também descobriu proteínas originadas das mitocôndrias – organelas de energia das células – que aparecem em altos níveis no organismo de centenários e ajudam contra as doenças do envelhecimento. O objetivo de Barzilai é aplicar as descobertas sobre os genes da longevidade em tratamentos futuros para fazer com que aqueles que não têm essas mutações envelheçam com mais saúde.
Enquanto isto, outros estudos mostraram que a genética tem uma influência de 25% na longevidade humana (não especificamente entre centenários), como resume uma pesquisa da revista Immunity & Ageing. Por isso, boa parte das pesquisas ainda foca em fatores ambientais que têm impacto na extensão da vida humana e apontam tanto para o consumo da dieta mediterrâneacomo para o nível de felicidade dos indivíduos.

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Quatro irmãos de 110, 109, 103 e 101 anos iluminam os genes da longevidade
Projeto que estuda o DNA de pessoas centenárias busca retardar o envelhecimento
“Ninguém te recomendou parar de fumar?” perguntou o médico Nir Barzilai a Helen Kahn em Nova York. “Sim, claro, mas os quatro médicos que me recomendaram parar de fumar morreram”, respondeu ela. Kahn, que todos chamam de Happy (Feliz), fumou durante quase 95 anos. Ela morreu — depois de uma vida saudável — poucas semanas antes de completar 110 anos.
Seu irmão, Irving Kahn, foi uma lenda de Wall Street. Começou a trabalhar na Bolsa de Nova York pouco antes do crack de 1929. E continuou trabalhando como analista financeiro até pouco antes de morrer, em 2015, com 109 anos. Antes haviam morrido seu irmão Peter, com 103, e a irmã Lee, com 101.

“Os irmãos Kahn demonstram que temos a capacidade como espécie de viver até 110 anos de maneira saudável”, diz o médico Nir Barzilai

“Os irmãos Kahn demonstram que temos a capacidade como espécie de viver até 110 anos de maneira saudável. Os quatro tiveram saúde até o fim da vida. E também mostram que existe um fator genético”, afirma Barzilai, diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Envelhecimento da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York.
Barzilai — nascido em Haifa (Israel), em 1955 — teve uma juventude agitada como médico do Exército israelense. Em 1976, participou de uma missão de resgate de 102 judeus sequestrados por palestinos no aeroporto de Entebbe (Uganda), trabalhou em um campo de refugiados durante a Guerra do Camboja até 1980 e ajudou a construir uma aldeia na terra dos zulus, na África do Sul, em 1983.
Agora, Barzilai dirige o Projeto dos Genes da Longevidade, um estudo ambicioso para investigar o material genético de 670 pessoas que viveram cerca de 100 anos ou mais. Todos são judeus asquenazis, uma população historicamente homogênea que é um laboratório perfeito para estudar sua genética. O trabalho começou em 1998. A maioria, como os irmãos Kahn, já morreu. Mas seu DNA continua falando.


O médico israelense Nir Barzilai, durante sua estadia em Madri.
O médico israelense Nir Barzilai, durante sua estadia em Madri. KIKE PARA


“60% dos nossos homens centenários e 30% das nossas mulheres fumaram durante um longo período de tempo. Quase 50% eram obesos durante sua vida e menos de 50% faziam exercidos. Não faziam nada saudável. Tinham genes que os protegiam. E temos de encontrá-los”, anuncia Barzilai.
Os irmãos Kahn, conta, tinham uma mutação em um gene associada a níveis mais elevados de colesterol bom. “E há mais proporção de pessoas com essa mutação em centenários do que qualquer outra faixa etária”, aponta o médico israelense. As pessoas que têm essa mutação também têm menos probabilidade de ter a doença de Alzheimer.

60% dos homens centenários e 30% das mulheres fumaram durante um longo período de tempo: seus genes, aparentemente os protegeram

No congresso em Madri, o médico israelense adiantou uma nova descoberta. “Os pôneis vivem mais do que o resto dos cavalos. E os cães pequenos vivem mais do que os grandes. Eu pensava que isso não poderia ocorrer em humanos, mas estava errado. Mais de metade dos meus centenários não tem uma atividade correta do hormônio de crescimento, por várias razões”, detalha. Os resultados, diz ele, serão publicados na revista Science Advances.
Esses mecanismos são mais comuns nas mulheres. “Uma quantidade baixa de hormônio de crescimento as protege de morrer. Mesmo as mulheres de 100 anos, se têm muito pouco hormônio de crescimento, viverão o dobro do tempo a mais que as mulheres de 100 anos com níveis mais altos”, enfatiza Barzilai.
No fim deste verão, o médico planeja começar um teste clínico que será revolucionário se confirmar suas suspeitas. A hipótese de Barzilai, como a de muitos especialistas, é que as doenças relacionadas ao envelhecimento — como câncer, Alzheimer, AVCs e problemas cardiovasculares — podem ser retardadas em bloco.

Barzilai acredita que uma droga, a metformina, retardará em bloco as doenças do envelhecimento

O teste, que custará 70 milhões de dólares (cerca de 221 milhões de reais), recrutará 3.000 pessoas com idades entre 65 e 80 anos. Metade delas tomará metformina, uma droga amplamente utilizada para controlar a quantidade de açúcar no sangue em pacientes com diabetes tipo 2. Mas, neste caso, ninguém tem diabetes. A outra metade dos participantes não tomará nada.
A equipe de Barzilai acredita que a metformina retardará as doenças do envelhecimento em relação ao grupo de controle. Testes em animais e dados epidemiológicos em humanos associam a metformina a uma maior longevidade e a menos casos de câncer, Alzheimer e doenças cardiovasculares.
O teste clínico, como reconhece Barzilai, além de uma prova de conceito na verdade é uma desculpa. Atualmente, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA na sigla em inglês) avalia e aprova as drogas para uma determinada indicação, mas não possui qualquer indicação para o retardamento em bloco das doenças associadas ao envelhecimento. Se a metformina funcionar, sendo um medicamento genérico e barato cuja segurança foi amplamente demonstrada, a FDA abrirá a porta para testes com outras drogas mais promissoras contra o envelhecimento, mas com maiores riscos, como a rapamicina.
Barzilai, conhecido por seus colegas por fazer uma piada atrás da outra, está otimista em relação ao futuro. No congresso de Madri, começou sua palestra contando o caso de um homem de 100 anos que foi fazer um seguro de vida. “Não fazemos apólices para pessoas de 100 anos”, informaram. “Como que não? Minha mãe acabou de fazer um seguro de vida aqui”, respondeu. Depois de se desculparem, empregados da seguradora marcaram uma reunião para ele assinar os papéis na terça-feira seguinte. “Na terça-feira eu não posso. Meu avô vai se casar”, lamentou o homem de 100 anos. “Seu avô?”, exclamaram os empregados. “Sim, ele não queria, mas os pais dele o pressionaram”, respondeu o centenário.
Fonte:https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/28/ciencia/1493394455_199979.html
Limite máximo de uma vida humana pode já ter sido atingido. E são 122 anos


Jeanne Calment viveu até os 122 anos. 
Estudo revela que o crescimento da expectativa de vida está estagnado desde os anos 1990

A pessoa que mais tempo viveu, de que se tem conhecimento, foi Jeanne Calment. Essa mulher francesa morreu em Arles (França) aos 122 anos de idade, em 1997, e desde então ninguém superou a sua marca. Como acontece com alguns recordes olímpicos, que sempre parecem estar próximos dos limites da biologia humana, é possível que, em termos de longevidade, não se possa ir muito além de Calment. Esta é a hipótese colocada por uma equipe de pesquisadores da Escola de Medicina Albert Einstein de Nova York (EUA).

Embora alguns estudos realizados em animais mostrem que o tempo máximo de vida de um indivíduo pode variar graças a interferências farmacológicas e genéticas, uma análise estatística da evolução desse limite em humanos indica que, ao menos nas atuais condições, este não é o caso para a nossa espécie. Segundo os autores dessa pesquisa, divulgada nesta quarta-feira pela revista Nature, a idade máxima atingida na Suécia, por exemplo, subiu de 101 anos, na década de 1860, para 108 nos anos 1990. Considerando-se dados do mundo todo, se observa que tanto ali como em outros países esse limite máximo se estagnou desde a década em que Jeanne Clement faleceu. Isso seria, segundo interpretam os pesquisadores, uma demonstração consistente de que “a longevidade máxima nos humanos é fixa e está sujeita a limitações naturais”.

Em um outro artigo publicado também pela Nature, Jay Olshansky, pesquisador da Universidade de Illnois, em Chicago (EUA), comenta que os estudos mais recentes indicam que o limite da vida humana não é definido por um sistema de obsolescência programada, fruto da evolução, que nos leva a morrer a partir de uma determinada idade. “O que parece ser um limite natural é um efeito colateral indesejado dos programas genéticos estabelecidos para as atividades do início da vida”, defende ele. Como explica o principal autor do primeiro artigo, Jan Vijg, pesquisador da Escola de Medicina Albert Einstein, “vários dos sistemas que evoluíram para nos proteger de ameaças externas, de danos causados pelo estresse, de falhas em processos moleculares, produzem, no longo prazo, os problemas que acabam por nos matar”.

A longevidade máxima nos humanos é fixa e está sujeita a limitações naturais, dizem estudiosos

Na sua opinião, embora em alguns modelos animais medidas como a redução do consumo de calorias prolongaram em cerca de 30% a sua vida, isso não funcionaria no caso do ser humano. “O problema é que cada espécie desenvolve sistemas de proteção adaptados às suas possibilidades de sobrevivência na natureza. Os ratos são muito frágeis e por isso têm uma expectativa de vida muito baixa. Nós, humanos, no entanto, graças, em parte, ao nosso cérebro, incrementamos as nossas possibilidades de sobreviver, e por isso o nosso sistema evoluiu para viver mais tempo”, explica Vijg. “Mas os sistemas que nos permitem sobrevivermos dentro do nosso período de expectativa de vida não são um só, nem dez; eles podem ser milhares ou dezenas de milhares. Quando começam a falhar, o organismo se deteriora, e seria muito difícil criar um tratamento que conseguisse consertar todos de uma vez. Esquecer de tomar apenas um dos milhares de medicamentos que seriam necessários para manter todos esses sistemas em funcionamento já levaria à morte”, conclui.
“Esses programas genéticos de crescimento, desenvolvimento, amadurecimento e reprodução são produtos de 3,7 bilhões de anos de história da evolução”, assinala Olshansky, acrescentando: “Não há um limite estabelecido a partir do qual os humanos não conseguem viver. Mas existem, no entanto, limites para a duração da vida que são impostos por outras características genéticas da nossa história vital”. Um exemplo semelhante seria o da velocidade a que conseguimos correr. Não há nenhum programa genético que a limite, mas existem constrições biomecânicas impostas por um corpo que é fruto de uma história evolutiva concreta.
Alguns pesquisadores, porém, vem o trabalho de Vijg como uma boa análise estatística, mas consideram que ele não vai muito além disso, não podendo prever o que ocorrerá no futuro. É o caso de Timothy Cash, pesquisador do Grupo de Supressão Tumoral do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO). Na sua opinião, para conhecer as possibilidades de tratamentos em humanos com restrição calórica ou com o rapamicina, que deram certo em modelos animais, será preciso aguardar a realização de estudos que levarão ainda muito tempo. Para Cash, a estagnação no crescimento da expectativa de vida humana pode ser temporária, e, portanto, graças à ciência, o recorde de Calment ainda poderia ser batido no futuro.
Além dos genes, os pais longevos podem transmitir fatores ambientais, como uma melhor educação.
Além dos genes, os pais longevos podem transmitir fatores ambientais, como uma melhor educação. 
Quanto mais tempo seus pais viverem, mais tempo você viverá
Os filhos de pessoas mais longevas têm menos problemas de coração quando chegam à velhice

O fato de uma pessoa viver mais ou menos depende de muitos fatores, como o ambiente, a genética e os hábitos. Mas, se o pais viverem muito tempo, também ajuda. Um estudo com quase 200.000 pessoas mostrou que, quanto mais viveram seus pais, mais eles - os filhos - viveram. Para cada ano a mais de vida, a incidência de algumas doenças (mas não de outras) diminui.

Um grupo de pesquisadores de vários países seguiu as pistas dadas por 186.151 britânicos. Quando começaram o estudo, publicado pelo Journal of the American College of Cardiology, os mais jovens tinham 55 anos, e os mais velhos, 73. Todos eles já tinham perdido seus pais e mães. Então, os pesquisadores perguntaram a eles quantos anos tinham seus pais quando morreram; depois, acompanharam a saúde dos filhos pelos cinco anos seguintes.
Depois desse tempo, os pesquisadores comprovaram que a mortalidade entre aqueles cujos pais viveram mais de 69 anos era 16,5% menor para cada década de vida extra de algum dos progenitores. Embora o consumo de tabaco, o abuso de álcool, a obesidade e o sedentarismo também tenham sua carga de responsabilidade, quando esses fatores são controlados, a relação das idades entre pais e filhos se mantém.
"Trata-se do maior estudo que mostra que, quanto mais vivem seus pais, mais serão suas chances de chegar aos 60 ou 70 anos com boa saúde", afirma a pesquisadora Janice Atkins, da escola de Medicina da University of Exeter, no Reino Unido.

O risco de sofrer um infarto baixa até 20% se os pais vivem mais de 80 anos

Esta relação se repete também no sentido contrário. "Constatamos também que os filhos de pais com vida mais curta têm um risco maior de morrer", acrescenta em mensagem por e-mail. Atkins esclarece, em seguida, que se trata de um estudo que mostra tendências gerais: "Se alguém se expõe aos grandes fatores de risco, isso irá pesar mais em sua saúde do que a idade com que seus pais morreram", conclui.
A pesquisa também teve foco nas doenças mais frequentes com o passar do tempo. Praticamente todos os casos de doenças cardíacas têm relação com a idade alcançada pelos pais. O alto colesterol, a hipertensão e o risco de infartos, por exemplo, podem diminuir até 20% se pelo menos um dos pais chegou a 80 anos ou mais.
No que diz respeito ao câncer, as relações encontradas foram muito baixas para considerá-las significativas na maior parte dos tipos da doença. Entretanto, foi encontrada uma ligação entre o câncer de pulmão e a longevidade dos pais. Em outras doenças, como a asma ou a anemia, não houve qualquer ligação. A pesquisa, contudo, não estudou a fundo as doenças mentais relacionadas com a idade. "Também estudamos a depressão, mas não encontramos uma associação ente o tempo de vida dos pais e o risco de depressão de seus filhos", comenta a pesquisadora britânica.

O estudo foi realizado durante oito anos, com quase 200 mil pessoas, todas saudáveis no início das investigações

O professor David Melzer, que dirige o programa de pesquisa de Atkins, disse em uma nota oficial: "Ainda não se sabe por que algumas pessoas têm problemas de coração aos 60 anos, enquanto outros só os desenvolvem aos 90, ou até mais velhos. Evitar fatores de risco conhecidos, como o cigarro, é importante, mas nosso estudo mostra que há outros fatores herdados dos pais que afetam o bom funcionamento do coração".
Essa herança também tem elementos do ambiente familiar em que a pessoa cresce. Pesquisas anteriores mostraram que um nível maior de estudos ou de dinheiro, a prática de atividades físicas e uma alimentação saudável ajudam a alongar a vida. Assim, os filhos que crescem neste ambiente também herdam uma expectativa de vida maior.

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expectativa de vida

Pilar Fernández, de 101 anos, na garagem da sua casa em Ambas (Espanha). 


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