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Onda de calor: medidas práticas para proteger o corpo (e a saúde) das altas temperaturas
Ninguém está imune aos efeitos prejudiciais do calor extremo, mas idosos, crianças, obesos e pessoas com doenças pré-existentes correm maior risco
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— São Paulo
27/12/2025 04h30 Atualizado há 3 dias
Grande parte do país segue sob o efeito de uma onda de calor que atinge esta região desde o início da semana, elevando as temperaturas até a casa dos 40ºC. Na sexta-feira (26) o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) elevou o alerta de "Perigo" que havia emitido para a onda de calor, que atinge Rio de Janeiro, São Paulo e outros seis estados no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, para "Grande Perigo". O período de atuação do fenômeno, que se encerrava, foi estendido para até às 18h do dia 29. Segundo o Inmet, as temperaturas podem ficar 5°C acima da média, e a situação representa risco à saúde.
As altas temperaturas estão entre os grandes problemas de saúde pública da década no planeta, destaca a revista Lancet, que recentemente dedicou ao tema uma série especial de estudos. Morrer de calor não é figura de linguagem: é um risco real, alertam cientistas.
Um estudo feito por pesquisadores brasileiros e australianos sobre o impacto do calor em pacientes renais mostrou que as altas temperaturas respondem por 7% das internações do SUS.
A insolação é um dos principais problemas associados à exposição ao calor extremo e acontece quando a temperatura corporal ultrapassa os 40ºC. Essa condição, considerada grave, é decorrente da incapacidade do corpo em controlar a própria temperatura. Os sintomas da insolação incluem: elevação da temperatura corporal; pele vermelha; quente e seca; dor de cabeça; tontura; náusea; confusão mental; e, em casos extremos, perda de consciência.
Outro problema comum é a desidratação, causada pela perda significativa de água e eletrólitos, o que é frequente em situações de calor intenso e suor excessivo. Outra condição que pode ocorrer é a exaustão pelo calor, resultado da perda de água e sais minerais e inclui sintomas similares a insolação como: fraqueza, dor de cabeça, náusea e tontura.
Além desses quadros causados especificamente pelo calor, as altas temperaturas agravam doenças pré-existentes. O calor pode impactar gravemente sete órgãos: cérebro, coração, intestinos, fígado, rins, pulmões e pâncreas.
O ser humano controla sua temperatura de duas formas. A primeira é por meio dos vasos sanguíneos que se dilatam para levar mais sangue até a pele, para que o calor possa ser irradiado para fora do corpo. O segundo é por meio do suor, que refresca a pele por evaporação. Quando eles não funcionam, morremos.
Um estudo do grupo de Camilo Mora, da Universidade do Havaí, lista 27 formas pelas quais ele pode ser fatal. São cinco mecanismos fisiológicos podem ser deflagrados pela temperatura elevada: isquemia (redução ou interrupção da irrigação sanguínea), citotoxidade (envenenamento das células), inflamação, coagulação intravascular disseminada (formação de trombos que podem destruir órgãos) e rabdomiólise (síndrome causada pela destruição das fibras musculares).
Ninguém está imune aos efeitos prejudiciais do calor extremo, mas obesos (a gordura retém mais calor), mulheres (têm maior composição de gordura), crianças (o sistema de regulação da temperatura é imaturo), idosos (o mesmo sistema começa a ter falhas), diabéticos, cardíacos e pacientes renais são mais sensíveis. O mesmo pode ser dito de profissionais que trabalham expostos ao sol.
Diante de tudo isso, se proteger é fundamental. O Ministério da Saúde elenca 22 cuidados e medidas importantes para evitar riscos do calor extremo à saúde.
- Evite a exposição direta ao sol, em especial, de 10h às 16h;
- Use protetor solar: Se expor ao sol sem a proteção adequada contra os raios ultravioleta deixa a pele vermelha, sensível e até com bolhas.
- Use chapéus e óculos escuros (especialmente pessoas de pele clara);
- Proteja as crianças com chapéu de abas;
- Use roupas leves e que não retêm muito calor;
- Diminua os esforços físicos e repouse frequentemente em locais com sombra, frescos e arejados;
- Em veículos sem ar-condicionado, deixe as janelas abertas;
- Não deixe crianças ou animais em veículos estacionados;
- Aumente a ingestão de água ou de sucos de frutas naturais, sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede;
- Evite bebidas alcoólicas e com elevado teor de açúcar;
- Faça refeições leves, pouco condimentadas e mais frequentes;
- Recém-nascidos, crianças, idosos e pessoas doentes podem não sentir sede. Ofereça-lhes água;
- Se possível, feche cortinas e/ou janelas mais expostas ao calor e facilite a circulação do ar;
- Abra as janelas durante a noite;
- Utilize menos roupas de cama e vista-se com menos roupas ao dormir, sobretudo, em bebês e pessoas acamadas;
- Informe-se periodicamente sobre o estado de saúde das pessoas que vivem só, idosas ou com dependência que vivam perto de si e ajude-as a protegerem-se do calor;
- Mantenha ambientes úmidos com umidificadores de ar, toalhas molhadas ou baldes de água;
- Mantenha medicamentos abaixo de 25º C na geladeira (ler as instruções de armazenamento na embalagem);
- Procure aconselhamento médico se sofrer de uma doença crônica condição médica ou tomar vários medicamentos;
- Busque ajuda se sentir tonturas, fraqueza, ansiedade ou tiver sede intensa e dor de cabeça;
- Se sentir algum mal-estar, busque um lugar fresco o mais rápido possível e meça a temperatura do seu corpo e beba um pouco de água ou suco de frutas para reidratar;
- No período de maior calor, tome banho com água ligeiramente morna. Evite mudanças bruscas de temperatura.
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